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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Caiu na rede é, peixe?

O futebol mais insinuante e vistoso do segundo semestre não estará na Libertadores de 2015. Porque o Santos abriu  mão do Brasileirão, se distanciou do G4 e chegará à rodada final da Série A sem chances de ingressar no grupo dos quatro melhores.

Assim como chegou na 38ª rodada do ano passado sem grandes pretensões, mas acabou vencendo o Vitória em Salvador e, por ironia do destino, salvando o Palmeiras do então técnico Dorival Júnior, hoje vice da Copa do Brasil pelo peixe,  e mudando completamente o planejamento do rival para a temporada seguinte.

O Santos não era favorito, mas tinha pequena vantagem. Mostrou equilíbrio emocional suportando com firmeza os primeiros trinta minutos do agressivo Palmeiras que repetia a postura da semifinal, principalmente no início, enquanto pôde contar com o ótimo Gabriel Jesus.

Barrios fez sua melhor partida desde que chegou  e foi o melhor do lado verde, junto com Matheus Sales. O primeiro fez a jogada do gol que abriu o placar, deixando Robinho livre para servir Dudu. O segundo foi responsável por anular Lucas Lima, apagado do início ao fim, e melhorar a saída de bola do Palmeiras. O jovem volante foi ótima sacada de Marcelo Oliveira.

Dorival explorou mal o inseguro João Pedro pelo lado direito da defesa do rival. Mas também não contava com as discretas  atuações de Gabriel e Lucas Lima.

O Palmeiras venceu pois se entregou mais ao confronto. Contou com a sorte na primeira partida, é verdade. E se Nílson fosse mais caprichoso? Se Gabriel convertesse a penalidade? E se hoje a bola de Victor Ferraz não insistisse em beijar a trave no início do confronto? E se...

O Santos deve ser o único grande de São Paulo fora da Libertadores do próximo ano. É a tendência. Quem diria...

O Palmeiras da bola longa e de atuações irregulares é campeão com méritos. Soube jogar a Copa do Brasil e priorizou o que considerava mais viável. Deu certo.

Graças ao herói improvável Fernando Prass, que defendeu e marcou nas penalidades. Que bela história de futebol esta noite no Allianz Parque.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O campeão dos campeões

Incrível o ano do Corinthians. Primeiro semestre  impressionante, oscilação após queda diante do Guarani, mas retomada de  ótimo futebol a partir do fim do primeiro turno da Série A.  O Corinthians mais regular, da melhor defesa, ataque... Que não perde há mais de dois meses e garante com três rodadas de antecedência o título.

O sexto da história, terceiro em dez anos. O campeão dos campeões também, mais do que nunca, já que na campanha não foi derrotado por nenhum outro campeão brasileiro da era dos pontos corridos por vinte clubes.

O devedor de salários e direitos de imagem que se virou. Que perdeu Fábio Santos, Émerson e Guerrero. Mas que reinventou-se sob o comando do mais bem conceituado treinador do país com Uendel, Malcom e Vagner Love, autor do gol do título, pois é ridículo creditar algo desta magnitude na conta do tropeço do Atlético MG.

O Corinthians não é o melhor campeão brasileiro da história. Está longe de ser o mais brilhante. Mas é aceitável afirmar que seja o mais organizado, atualizado e eficiente.

Desde a dupla Gil e Felipe, o primeiro taxado de pipoqueiro e o segundo altamente inconfiável há pouco tempo atrás. Passando pelo discreto Jadson e o desacreditado Renato Augusto, chegando em Vagner Love, sem ritmo algum após sua volta ao país.

Quem acreditava no Corinthians quando o Atlético abriu vantagem na ponta e o Timão perdeu três peças fundamentais?

A noite em São Januário premiou o melhor. Coroou quem se reinventou nas adversidades e deu aula de coletividade e eficiência durante a maior parte do campeonato.

O Corinthians dos desacreditados é campeão com três rodadas de antecedência, iguala  São Paulo e Cruzeiro no número de conquistas de Brasileiros por pontos corridos e está próximo de se tornar o maior pontuador da história da nova era: Basta conquistar quatro de nove pontos que ainda disputará.

Salve o Corinthians.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Adeus ano velho

"O Campeonato Catarinense 2015 será o melhor da história" era a frase padrão e representava bem a expectativa no início deste ano. Era inevitável, de fato. Até porque, quando na história o estado de Santa Catarina teve quatro clubes entre os vinte melhores do país? Jamais. E dificilmente terá novamente num futuro tão próximo, a depender da permanência de quem já está por lá e da ascensão do Criciúma.

É a realidade.

O melhor campeonato da história teve média de público pífia, jogador sem contrato, campeão no tribunal e jogo de compadres. Não foi o pior, apesar de tudo, principalmente se comparado a campeonatos de décadas passadas. Mas esteve longe de ser o melhor.

Há duas propostas de regulamento para 2016 e  o ponto que merece  maior atenção é justamente este. Serão dois turnos ida e volta, todos contra todos. A questão é saber se o campeão será o melhor do geral ou se haverá final entre o vencedor do primeiro e do segundo turno, como em 2008.

A fórmula dos últimos dois anos é deficitária porque enche o calendário de datas. Jogos sem importância, clássicos em demasia. Joinville e Figueirense se enfrentaram cinco vezes no mesmo campeonato! É muito e perde a atratividade.

É necessário  evitar Metropolitano x Joinville valendo nada, Figueirense x Inter de Lages para testes e Atlético de Ibirama x Avaí de compadres.

O Criciúma precisa lotar seu estádio sabedor de que a vitória sobre o Brusque será tão importante quanto vencer a Chapecoense em Chapecó.

Não há fórmula mágica para um campeonato bem sucedido. Mas  valorizar o próprio produto é o primeiro passo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Treino de luxo

O São Paulo do primeiro jogo das semi-finais melhorou em relação a equipe que perdeu para o Fluminense no Rio de Janeiro e empatou com o Vasco no Morumbi. Foi mais organizado, teve mais repertório. Não merecia perder por 3 a 1, mas o futebol torna-se ainda mais imperdoável quando a incompetência acontece diante de um adversário tão forte como é o Santos.

A equipe comandada por Dorival Júnior já está na final da Copa do Brasil e o confronto desta noite na Villa serve apenas para Doriva dar ritmo e seguir modelando o São Paulo que acredita ser o ideal.

Mais seguro defensivamente e efetivo no ataque. A volta de Alan Kardec e o bom momento de Alexandre Pato dão esperanças.

Rogério Ceni prolongou a aposentadoria após fraquejar no Campeonato Brasileiro de 2014, fez o mesmo após a Libertadores deste ano. Agora, o que restou, certamente cairá por terra na noite desta quarta-feira.

Encerrar a carreira no G4 da Série A na atual situação também será uma honra. O São Paulo têm totais possibilidades de terminar o Brasileirão em quarto. A missão começa sábado, no Morumbi, diante do Sport. Hoje, apenas treino  de luxo , na Villa Belmiro.

Quatro dos últimos cinco resultados do Palmeiras como mandante garantiriam o Fluminense na decisão

As possibilidades de Palmeiras e Fluminense são iguais na noite de hoje, no Allianz Parque. O verde venceu apenas uma das últimas cinco partidas que disputou. O Flu, duas. Mas a irregularidade das equipes não deve comprometer o nível da partida.

É evidente que jogar pelo empate credencia os cariocas como favoritos. O Palmeiras joga pressionado, se afastou do pelotão da frente no Campeonato Brasileiro e enxerga, na Copa do Brasil, a única oportunidade de salvar uma temporada que acreditou ser promissora.

Dos últimos cinco resultados como mandante do Palmeiras, apenas um deles o classificaria para a final do torneio: 2 a 0 sobre o Figueirense, em setembro. Depois, venceu Grêmio e Inter por 3 a 2, e perdeu pra Ponte Preta (0-1) e Sport (0-2).

O confronto desta noite é o 26º na história entre Palmeiras e Fluminense no Palestra Itália (antes e após sua reforma). O retrospecto é favorável à equipe paulista, que venceu 21, empatou duas e perdeu apenas em três oportunidades.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Aproveitamento pode credenciar Corinthians como maior pontuador dos pontos corridos com vinte clubes

Desde 2006, só o Fluminense campeão em 2012 tinha mais pontos do que o Corinthians nesta rodada: 69 contra 67.

Os números e o desempenho do time de Tite são irretocáveis. Ninguém no Brasil joga tão bem coletivamente e evoluiu tanto quanto a equipe do Parque São Jorge dentro da competição.

Em julho, na décima quarta rodada, houve o primeiro encontro entre Corinthians e Atlético Mineiro. O Galo foi melhor durante todo o jogo, abusou das chances perdidas e sofreu 1 a 0 em Itaquera. Na ocasião, ambos empataram na liderança com 29 pontos, mas os mineiros ficaram na ponta pelo saldo de gols: 15 a 8.

Depois daquele confronto, o Corinthians perdeu somente um jogo: para o Inter, em Porto Alegre. Assumiu a liderança na décima oitava rodada e o saldo de gols que era de 8 quadruplicou: 32. O Atlético que tinha 15 de saldo na rodada 14, hoje têm apenas 19, depois de dezessete rodadas...

É pouco.

A derrota acachapante no último domingo diante do Sport definiu quem ficará com o título. A questão não é mais saber quem terá fôlego para acompanhar a regularidade incrível do Corinthians. O Grêmio fraquejou, o Atlético sucumbiu... O ponto agora é descobrir em qual rodada o melhor time do campeonato confirmará sua conquista. A terceira em dez anos.

O aproveitamento atual do Corinthians é de 72%. Se chegar na rodada 38 com o mesmo percentual, irá somar 82 pontos. Na história dos pontos corridos com vinte clubes, ninguém alcançou essa pontuação.

Até ano passado o recorde era do São Paulo de 2006, campeão com 78 pontos. Na última temporada, o Cruzeiro somou 80. O Corinthians tem tudo pra superar.

domingo, 18 de outubro de 2015

O horário muda. Mas a freguesia...

Gílson Kleina armou o Avaí com três volantes e deixou Marquinhos solitário entre Andrei Girotto e Thiago Santos. Apostou em dois atacantes fixos, buscando explorar a fragilidade da dupla de zaga reserva do Palmeiras. O Avaí foi pessimamente escalado e fez sua pior partida no campeonato.

Perdeu.

O Palmeiras tinha mais gente e muito mais mobilidade com Gabriel Jesus, Allione e Mouche na faixa central. Foi fácil marcar um adversário previsível, que abusou da bola longa durante os noventa minutos. 3 a 1 foi justo em Florianópolis.

Foi a décima primeira vitória do Palmeiras diante do Avaí. Onze! Em quatorze jogos, apenas uma derrota. Entre os adversário da Série A, só o Joinville é tão freguês quanto -- nunca venceu o rival paulista.

A vitória recoloca a equipe comandada por Marcelo Oliveira no G4, pelo menos provisoriamente. Pra se manter no grupo dos quatro primeiros, precisa contar com os tropeços de Santos e São Paulo, que enfrentam Goiás e Vasco, neste domingo.

...Continua

Não apenas porque o Figueirense não vence em Joinville desde 2008. A derrota desta noite foi a de número 72. O Figueira venceu  vinte a menos.

Em 2015, foram sete confrontos. O Joinville venceu quatro e perdeu somente um. É surpreendente.

A vitória encurta a distância do JEC para o primeiro time fora da zona de rebaixamento. São três pontos para o Avaí, 16º colocado.

A missão segue complicada e improvável. Mas já foi mais difícil de acreditar no Joinville. Nas últimas duas rodadas, somou mais pontos do que todos os seus adversários juntos. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Receita da frustração

Palmeiras perde para a Ponte em casa e segue fora do G4 (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)
foto: Lance!
O Palmeiras se safou do terceiro rebaixamento de sua história na última rodada do Brasileirão do ano passado. Graças ao Santos, que bateu o Vitória em Salvador. Foi o clube que  permaneceu na Série A  com o menor número de pontos (40), desde 2003, quando o campeonato passou a ser disputado no formato de pontos corridos.

Em 2014, foram três técnicos diferentes, uma eliminação no estadual para o Ituano e um Campeonato Brasileiro medíocre.

Tudo isso no ano em que o clube completava cem anos de história...

O projeto 2015 era voltar a ser importante. Figurar entre os principais clubes do país, brigar por títulos. Como sempre esteve acostumado. Antes do Campeonato Paulista deste ano iniciar, 17 contratações foram anunciadas. E uma consequente debandada de jogadores, evidentemente.

O Palmeiras estreou diante do Audax com Fernando Prass, Lucas, Vitor Hugo, Tobio e Zé Roberto; Renato, Gabriel e Robinho; Allione, Maikon Leite e Leandro Pereira. Apenas quatro estiveram no grupo do ano anterior.

O Cruzeiro brigou contra o rebaixamento em 2012. No fim do ano, reestruturou sua equipe para a temporada seguinte. Foram 19 aquisições, sem contar com o técnico Marcelo Oliveira, contratado junto ao Coritiba.

Foi campeão Brasileiro com Fábio, Mayke, Dedé, Bruno Rodrigo e Egídio; Nilton, Lucas Silva e Everton Ribeiro; Willian, Ricardo Goulart e Borges. Sete chegaram no mesmo ano, Mayke foi promovido aos profissionais e somente Fábio, Lucas Silva e Borges eram remanescentes da temporada anterior.

Há muita semelhança entre o projeto do Cruzeiro que deu certo com o Palmeiras de 2015 que oscila. Mas se enganou o palmeirense que achou que tudo seria igual...

O Cruzeiro funcionava pois tinha uma zaga consistente e bem protegida.Tinha Lucas Silva despontando como ótimo volante, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart em fase excepcional e Borges vivendo seu último grande ano.

O Palmeiras de Victor Ramos, Andrei Girotto e Alecsandro foi previsível e frustrante diante da Ponte Preta. Pra quem esperava brilho de um elenco formado às pressas enganou-se. A paciência acabou, e não há Mattos que faça milagre...

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

75%

O Santos confirmou seu favoritismo diante do Figueirense e avançou às semifinais da Copa do Brasil. Foram necessários vinte e cinco minutos para Gabriel abrir o placar e servir Marquinhos Gabriel, em belo cruzamento, no segundo gol. O Figueira descontou com o bom zagueiro Bruno Alves, também na primeira etapa.

No início do segundo tempo, Neto Berola marcou de cabeça. O atacante, que pertence ao Atlético Mineiro, havia acabado de entrar. Foi o segundo gol dele com a camisa do Santos. O Figueirense fez mais um com Carlos Alberto. 

É incrível a força da equipe comandada por Dorival Júnior como mandante. Foram 13 jogos em casa desde que o novo treinador chegou e treze vitórias. Apenas uma longe da Vila Belmiro. Justamente a desta noite, pelo torneio nacional. 29.468 pessoas estiveram no Pacaembu.

O Santos chega a sua quinta semifinal de Copa do Brasil. Pela primeira vez está entre os quatro melhores por dois anos seguidos, já que foi eliminado pelo Cruzeiro, em 2014, nesta mesma fase. Na única vez em que chegou à final, desbancou o Vitória na decisão. O Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso era comandado por...Dorival.

Com a classificação, a equipe junta-se a Palmeiras, São Paulo e Fluminense, que garantiram classificação na quarta-feira. Pela primeira vez na história, três paulistas estão entre os quatro semifinalistas do torneio.

É verdade que antes de 2013, com o antigo regulamento, onde as equipes da Libertadores não jogavam a Copa do Brasil, era mais improvável a presença de três equipes de São Paulo entre os semifinalistas.

Com exceção a 2014, ano em que nenhum grande do estado jogou a Libertadores, nos últimos dez anos pelo menos dois deles estiveram na competição continental. É muita coisa.

Palmeiras e Fluminense e o clássico San-São ocorre nos dias 21 e 28 de outubro.

domingo, 27 de setembro de 2015

A bola pune

O gol de Robinho aos 45 da segunda etapa, novamente em erro na saída de bola de Rogério Ceni e em lance de extrema felicidade do meia, como aconteceu no clássico pelo Campeonato Paulista, foi o centésimo do verde na temporada e recolocou o Palmeiras no grupo dos quatro primeiros.

No confronto entre as equipes pelo primeiro turno do Brasileirão, onde os comandados de Marcelo Oliveira impuseram 4 a 0 no rival, o técnico Juan Carlos Osório afirmou que não havia uma diferença de quatro gols entre os times. Naquela oportunidade o Palmeiras foi melhor e traduziu sua superioridade em resultado.

Não há uma diferença de quatro gols entre Palmeiras e São Paulo.

Mas no Choque Rei deste domingo houve muita diferença.  O São Paulo foi superior do início ao fim, anulou as principais armas do rival, mas não teve a eficiência que pesou contra si no clássico do primeiro turno.

O rendimento do São Paulo foi ótimo. Domingo passado, em Florianópolis, contra o Avaí, Osório optou por preservar seus principais jogadores.  Entrou em campo com sete atletas oriundos das categorias de base, com Thiago Mendes e Alexandre Pato, que haviam treinado durante a semana, no banco de reservas.

A intenção era chegar mais inteiro para o confronto com o Vasco, pela Copa do Brasil, e no jogo deste domingo, frente ao Palmeiras. O desempenho foi acima da média em ambas partidas.  E Thiago Mendes, o melhor do clássico.

Tá chegando

O tropeço do Atlético em Joinville permitiu um distanciamento ainda maior. Agora são sete pontos de diferença para o líder. Se já estava difícil, ficou ainda mais. O Corinthians é irretocável coletivamente e caminha a passos largos para o seu sexto titulo nacional. 

Na chuvosa Florianópolis, sobrou controle de jogo. O time de Tite levou algum tempo para de adaptar ao gramado pesado, mas logo na primeira oportunidade que Jadson teve de pensar o jogo, Elias infiltrou por trás dos volantes e abriu o placar. Gil e Renato Augusto também marcaram para o timão. No fim, Leandro Silva descontou para o Figueirense.

Restam 10 rodadas pra terminar o campeonato. Pro Corinthians ser campeão, menos. Só um milagre atleticano pode impedir. Depois de empatar com o lanterna, ficou difícil de acreditar no Galo.

Luz

Ninguém no Brasileirão fez mais pontos do que o Vasco nas últimas cinco rodadas. De quinze disputados, treze foram computados na conta do cruzmaltino. Em cinco jogos, o Vasco fez o mesmo número de pontos que havia conquistado nas 23 rodadas anteriores.

Seis  pontos o separam do Goiás, primeira equipe fora da zona de rebaixamento. O próximo compromisso é em Florianópolis, contra o Avaí. 

A manutenção vascaína segue improvável, mas possível. O momento é favorável, e tudo passa pelo confronto direto do próximo domingo, na Ressacada. O Vasco está vivo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Vai subir

Chapecoense, Figueirense, Joinville e Fluminense disputaram 69 pontos juntos nas últimas seis rodadas. Cada um 18, evidentemente. Mas como houve um confronto catarinense entre Joinville e Chapecoense na 24ª rodada, o número total possível é 69, e não 72, como seria se não houvesse enfrentamento entre esses clubes nas últimas seis rodadas da Série A.

Juntos, conquistaram 10 pontos. Aproveitamento de 14,49%. É desesperador.

O Joinville conquistou quatro pontos e é o melhor – menos pior–  entre os citados nas últimas seis. Aproveitamento de 22,22%. O time de PC Gusmão, terceiro técnico na temporada, voltou à lanterna e não ficou uma rodada sequer fora do grupo do descenso.

A primeira equipe da zona de rebaixamento têm 31 pontos. É a Chapecoense, que soma apenas três no returno e não vence há mais de um mês. A sequência negativa pôs a equipe catarinense no Z4 pela primeira vez no campeonato.

O Fluminense entrou na briga, mas espera-se uma melhora natural após a chegada de Eduardo Baptista. No jogo diante do Grêmio, pela Copa do Brasil, zero a zero. O tricolor carioca não terminava uma partida sem sofrer gols desde o dia primeiro de agosto, justamente contra o Grêmio, 1 a 0 pela 16ª rodada do Brasileirão, na estreia de Ronaldinho Gaúcho.

O campeonato da Chapecoense era consistente até o primeiro turno terminar. Se recuperar a força como mandante, agora com Guto Ferreira, deve escapar. Em 2014, na mesma rodada e posição,  o Coritiba tinha 29 pontos; Em 2013, a Portuguesa, também na 17ª colocação,  somava  30. Nenhum dos dois caiu – dentro de campo.

O Coritiba de Alex se safou com uma rodada de antecedência somando 47 pontos, aumentando consideravelmente seu aproveitamento. Neste ano, o Palmeiras se manteve na primeira divisão com 40.

Na era dos pontos corridos com vinte clubes, somente o Corinthians somava mais pontos do que a Chapecoense como primeira equipe da zona de rebaixamento nesta mesma rodada. Eram 33 pontos. O Corinthians foi rebaixado com 44.

Tudo indica que o "número mágico" irá aumentar. O Vasco está melhor, o Goiás segue vencendo, o Avaí emplacou três vitórias consecutivas e o Coritiba só perdeu um jogo nos últimos dez. A evolução é evidente, e a tendência é que 44 pontos não seja suficiente.

Por outro lado, se há crescimento de uns, a queda de rendimento de Joinville, Figueirense e Chapecoense preocupa. Hoje, três catarinense estariam rebaixados. Na história, nunca caíram três equipes do mesmo estado.

sábado, 12 de setembro de 2015

Quebra de prognóstico

Nas ultimas cinco rodadas do Campeonato Brasileiro, ninguém fez mais pontos que Flamengo e Santos. O rubro-negro, com 100% de aproveitamento, venceu todas. No Santos, somente um tropeço: empate com o Sport em Pernambuco.

Não à toa que deixaram a desconfortável segunda parte da tabela de classificação para colar no G4 e ameaçar a vaga que, algumas semanas atrás, dava indícios de que cairia no colo de Palmeiras ou São Paulo.

O Flamengo não é mais ameaça. A quarta vitória seguida sob o comando de Oswaldo de Oliveira pôs o time no grupo dos quatro primeiros e tirou o São Paulo, que perdeu para o...Santos.

O Flamengo é realidade. E acredite: sem Guerrero.

Evidente que a resposta dada pelo recém chegado Kaique foi importante. Mas a melhora de Émerson e a regularidade de Alan Patrick  que não servia para o Palmeiras – foram fundamentais. Além, é claro, do ajuste no sistema defensivo. Antes de Oswaldo, a média de gols sofridos no campeonato era superior a um  por partida. Com Oswaldo, caiu para 0,6.

Se no Rio o Flamengo melhorou com seu novo treinador e a ausência de sua principal referência, o Santos mantêm seu nível sem Lucas Lima e Geuvânio, tão importantes para o peixe quanto o Peruano é para o Fla.

Se ainda havia alguma dúvida sobre eles, Flamengo e Santos estão provando que podem e que  não há nenhuma dependência extrema no elenco. O que é imprescindível numa competição de 38 jogos.

2016 pode ser mais promissor. Só o tempo dirá. Mas voltar a disputar algo importante já é algo para se comemorar. Eles estão na briga, mais do nunca.

Alívio

O Cruzeiro tirou um peso enorme das costas ao voltar a vencer o maior rival depois de onze jogos. Na segunda partida sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, foi a primeira vitória da equipe celeste no Estádio Independência após sua reforma.

A pressão maior está do lado atleticano. Um empate, por exemplo, pode custar novamente uma distância de cinco pontos para o Corinthians, que recebe o vice-lanterna Joinville, em Itaquera.

Ainda que o time de Mano Menezes esteja alguns estágios abaixo do rival, jogar sem a pressão de manter uma liderança ou quebrar determinado tabu pode ser determinante.

Na rodada passada o Atlético fez sua obrigação e torceu por um tropeço do Corinthians, que tinha jogo duro contra o Grêmio. Neste fim de semana os papéis se invertem.

A tendência é que haja novamente um distanciamento. A missão do Galo é manter tudo como está.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Margem zero

Pelo segundo ano seguido o Avaí fez um campeonato estadual pífio. Não se classificou para o quadrangular decisivo em 2014 e novamente, em 2015, voltou a ficar de fora do grupo que disputou o título.

O Avaí é claudicante desde janeiro. Reflexo do péssimo planejamento feito no início da temporada. Cedeu mais tempo de férias ao seu treinador, que se reapresentou para voltar a trabalhar com o grupo somente 10 dias antes do início do campeonato, enquanto os atletas já treinavam com o auxiliar Raul Cabral.

Geninho caiu após derrota por 5 a 3 para o rebaixado Guarani de Palhoça...

Nas últimas dez rodadas do Campeonato Brasileiro foram oito derrotas e duas vitórias. Sofreu vinte gols, média de dois por partida. É  impossível não cogitar a demissão de Gilson Kleina.

Apenas seis clubes do Brasileirão não trocaram de treinador: Corinthians, Atlético Mineiro, Atlético PR, Sport, Chapecoense e Avaí.
Os três primeiros brigam na parte de cima da tabela, em Recife especula-se a saída de Eduardo Baptista, e em Chapecó Vinícius Eutrópio está cada vez mais ameaçado.

Kleina segue no comando do Avaí. E permanece pois tem o respaldo do departamento de futebol que confia no trabalho e sabe das limitações do elenco que formou.

O Avaí não foi rebaixado no Campeonato Catarinense pois empatou na última rodada com o Atlético de Ibirama. Dos 14 jogadores que enfrentaram o rival estadual, nove deles estiveram em pelo menos uma das últimas duas partidas do Avaí na Série A. Vagner, Pablo, Jéci, Antônio Carlos, Eduardo Neto, Marquinhos, Renan Oliveira, Anderson Lopes e André Lima.

Abrir mão de um trabalho de seis meses e entregar um elenco desqualificado na mão de um novo treinador é suicídio. Se Kleina ainda não perdeu o comando, segue sendo a melhor opção para buscar o improvável: manter o Avaí na Série A.

Ajuste seu retrovisor

Marcelo Grohe, Fagner, Erazo, Gil e Uendel; Bruno Henrique, Maicon e Elias; Luan, Luciano e Fernandinho. Não é a seleção do confronto  de quarta-feira, entre Corinthians e Grêmio, mas explica as consequências do calendário mal planejado do futebol brasileiro. E ratifica o ótimo trabalho de Tite e Roger à frente de seus clubes.

O Corinthians sente a falta de Elias, porque o jovem Marciel não é constante durante a partida e ainda não está pronto pra substituir o volante da seleção brasileira. Sofreu no clássico com o Palmeiras, mas foi cirúrgico em duas oportunidades, quando a bola partiu dos pés de Jadson tanto no segundo quanto no terceiro gol. O Palmeiras marcava em cima e era superior.

É exagero dizer que o primeiro tempo em Itaquera foi insosso. Mas pela expectativa criada, ficou devendo. A segunda etapa melhorou porque o Grêmio tomou as rédeas do confronto e passou a jogar no campo do rival paulista.

Sem a qualidade no primeiro passe de Bruno Henrique, com a ausência de Fagner e Uendel pelas laterais, o Corinthians sofreu para construir. A única alternativa era a bola longa, mas Vagner Love, por mais esforçado que seja, consegue a proeza de despertar no torcedor saudades de Luciano. Ou de Bobô...

O líder do campeonato só melhorou a partir do momento em que Renato Augusto empatou a partida. Antes disso, o Grêmio dava provas de que poderia brigar pelo título. Afinal, eram apenas três pontos de diferença e domínio tricolor.

A igualdade manteve os seis pontos entre paulistas e gaúchos, mas encurtou a vantagem corintiana de cinco para três  sobre o Atlético Mineiro, que bateu o Avaí em Belo Horizonte.

O Grêmio é ótimo coletivamente, mas sofre com suas ausências e não tem reposição a altura. Pode brigar, mas será preciso seguir se reinventando rodada após rodada.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O melhor amigo do Peixe

O Santos foi ao Serra Dourada no dia oito de julho, ainda sob o comando de Marcelo Fernandes, enfrentar o Goiás, rival direto na briga contra o rebaixamento. Vinha de três derrotas seguidas (Inter, Fluminense e Grêmio) e saiu de Goiânia com acachapantes 4 a 1.

Era difícil acreditar que o panorama pudesse mudar tão drasticamente como aconteceu. Não havia perspectiva alguma, apesar do título paulista no primeiro semestre. A questão ia bem além de limitação técnica. Grupo jovem, politicagem, falta de dinheiro...

Dorival Júnior assumiu o Santos após a trágica partida contra o Goiás e estreou contra o Figueirense, clube no qual Dorival conquistou seu primeiro título como treinador, o Campeonato Catarinense de 2004.

O Peixe amargava a zona de rebaixamento, vinha de quatro derrotas e tinha a pior defesa da competição. Aproveitamento inferior a 28%. Ridículo.

O acerto foi importante tanto para o clube quanto para o treinador. Este blogueiro escreveu que havia uma necessidade de ambas as partes, e que o acordo era fundamental para o Santos reagir dentro do campeonato e Dorival alavancar sua carreira, desprestigiada após três trabalhos frustrantes.

Com Júnior, o Santos melhorou em todos os sentidos. Principalmente na questão coletiva. Mas ficou evidente o crescimento de Gabriel e Lucas Lima.

Gabriel está mais confiante, se sente importante dentro do grupo. Está marcando mais e priorizando o coletivo. Lucas Lima, por sua vez, está mais a vontade com o novo treinador. Foi Dorival quem o indicou para o Inter, em 2012. Vive o melhor momento da carreira e está na lista da Dunga.

Com o novo comandante, o Santos subiu seu aproveitamento de 28% para 48% no Campeonato Brasileiro. Saiu de 17º para 9º e está a quatro pontos do Palmeiras, quarto colocado. Sem falar nas duas vitórias que conseguiu diante do Corinthians, eliminando o rival da Copa do Brasil.

O Santos vive em paz. Se Dorival precisava de um bom trabalho para recuperar o prestígio, conseguiu. Valeu a pena a reciclagem no primeiro semestre.

Quem briga

A rodada deste fim de semana abriu os horizontes do campeonato. Se nada fora do normal acontecer, o título ficará no Parque São Jorge ou em BH. O Grêmio provou que não terá fôlego para seguir no mesmo nível acompanhando Corinthians e Galo.

O Sport comprovou também o que já se esperava. Apesar do ótimo trabalho de Eduardo Baptista, o único representante do nordeste não tem grupo pra seguir no pelotão da frente.

Na parte de baixo, o Cruzeiro confirmou ao seu torcedor  o que ele não queria acreditar: brigará pra não cair. E é melhor se cuidar...

E o Vasco buscará o Bi da Série B em 2016.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Vencer, vencer, vencer. O ideal do Galo, mais do que nunca

Apontar um favorito para o confronto desta noite, entre Figueirense e Atlético Mineiro, no Orlando Scarpelli, é um equívoco. É verdade que o zero a zero classifica o time da casa, mas desprezar a força dos comandados  de Levir é uma temeridade.

Nas últimas dez partidas em que Atlético foi visitante, só não marcou gols em três. Muito por conta da postura da equipe. O Galo é ofensivo no Horto, assim como é no Mineirão e  também longe de Belo Horizonte. E será, mais do que nunca, em Florianópolis.

Porque se o Galo não marcar, olê olê ola...

O rival  também é forte. Em seus domínios, principalmente. No entanto, longe de Florianópolis mantém-se consistente. Provou nas duas últimas vezes que foi ao Estádio Independência, perdendo pelo Brasileirão por 1 a 0 e empatando na última semana por 1 a 1. Na primeira partida, Pratto marcou de pênalti. Na segunda, Leonardo Silva fez aos 49 do segundo.

Ainda assim, é indiscutível a diferença técnica entre as equipes. Para o confronto desta noite, René Simões não terá a dupla de zaga titular, além do volante Paulo Roberto e do atacante Dudu, baixa de última hora.

Do outro lado, a ausência de Thiago Ribeiro é reparável. Patric têm características adequadas à função e, dentro do elenco, é quem melhor se encaixa para substituir o ex. atacante do Santos.

Em 2015, o Figueirense só perdeu duas vezes em sua casa. Vem motivado após a boa vitória diante do Sport, no sábado. Para o Atlético, foi fundamental voltar a vencer e recuperar a confiança, que se abalou após quatro partidas sem vitórias.

Apontar um favorito para esta noite é um erro. Esperar jogo ruim, também.

domingo, 23 de agosto de 2015

Essência

Havia dúvidas sobre como o grupo do Figueirense iria reagir à troca de treinador. Argel estava a mais de um ano no comando do alvinegro, mas aceitou a proposta do Inter e foi treinar a equipe que defendeu como jogador na década de 90. 

Ainda é cedo pra dizer se a resposta do grupo foi positiva e se René Simões um acerto. Sem Argel, foram três partidas. Derrota para o Fluminense no Rio, empate com o Atlético em BH e vitória diante do Sport, em Florianópolis. Por mais que o aproveitamento não tenha sido brilhante, o Figueirense manteve seu nível de desempenho. Principalmente no primeiro tempo da partida contra o Fluminense e no confronto contra o Atlético, pela Copa do Brasil.

Começar bem dá tranquilidade e passa confiança ao torcedor. O estilo de René permite que o time evolua em alguns pontos que demonstrava dificuldades. 

Mas é importante manter o alto nível de competitividade, trunfo da equipe de Argel. Seguir com consistência defensiva e jogar com intensidade. É fundamental manter a essência.

O caminho para o sucesso  do novo treinador passa por isso. Não dá pra comparar os estilos, embora René e Argel sejam de escolas diferentes e tenham filosofia de trabalho distintas, ambos se assemelham na forma de lidar com os atletas.

É preciso seguir na mesma linha de trabalho. 

O caso de Doriva na Ponte Preta é semelhante. A equipe de campinas começou bem o campeonato, chegou a liderança da competição, mas perdeu fôlego. Trocou de técnico após ficar sete rodadas sem vencer na Série A.

A vinda de Doriva mudou o panorama e a equipe recuperou a confiança. Voltou a jogar bem e da mesma forma que jogava sob o comando de Guto Ferreira.  A Ponte Preta é insinuante como era no início do campeonato e não perde há quatro partidas.

René Simões sabe o caminho. A missão é manter o nível técnico de um time já formado, mas evoluir é sempre importante. Começou bem.

domingo, 16 de agosto de 2015

O pecado de Osório

Algumas coisas justificam o rodízio feito por Juan Carlos Osório em sua equipe titular. Preserva a condição física de alguns, permite observar novas alternativas de jogo com diferentes peças, evita o atleta desmotivado por não receber oportunidades...

Deve ser feito quando for preciso conciliar duas competições de alto nível em período curto de tempo. É verdade que o São Paulo joga pela Copa do Brasil no meio da semana que vem e que quatro dias atrás esteve em Florianópolis jogando com o Figueirense.

Mas foi uma temeridade mudar drasticamente um time em formação. Por mais que existam motivos plausíveis para a opção do treinador colombiano, pôr em campo uma equipe com oito jogadores diferentes da que atuou na partida anterior foi um abuso.

Em relação ao time que jogou quarta-feira no Orlando Scarpelli, somente Breno, Wesley e Alexandre Pato foram titulares diante do Goiás.

O rodízio funciona na Europa pois lá a pré-temporada é adequada, os elencos sofrem poucas alterações e não se troca de treinador depois de um ou outro resultado negativo.

Osório pecou em desfigurar sua equipe que vinha de três boas atuações, contra Atlético Mineiro, Corinthians e Figueirense. Errou também em deixar seu único meia armador no banco de reservas diante de um Goiás fechado com duas linhas compactadas.

Ganso pode estar devendo a muito tempo, mas fez boa partida em Florianópolis. O São Paulo precisava ser criativo e paciente. Mas, afobado, se tornou presa fácil.

Receita do fracasso

Na história dos pontos corridos com vinte clubes, todos os lanternas do primeiro turno foram rebaixados ao fim do campeonato. O Vasco têm treze pontos, três vitórias em dezenove partidas e aproveitamento inferior a 23%.

O Vasco não está rebaixado. Mas tudo indica que jogará pela terceira vez em oito anos a Série B do campeonato brasileiro. Pois não teve planejamento, por que contratou mal e achou que estava pronto para o restante da temporada após vencer o fraco Campeonato Carioca. Simples?

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Desfoco

A diretoria do Inter demonstra a cada dia mais insegurança e indecisão em sua postura diante das negociações. A demissão de Aguirre quase às vésperas do Grenal não é o ponto de partida neste pensamento, longe disso.

Após a classificação para a Libertadores na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, conquistada após vitória dramática diante do Figueirense, em Florianópolis, o desejo da diretoria colorada era Tite, então livre no mercado.

Abel sentiu-se desprezado, abriu conversas com clubes do exterior e acertou sua volta aos Emirados Árabes, para defender novamente o Al-Jazira. Após Tite acertar seu retorno ao Corinthians, o Inter voltou atrás, mas era tarde.

Em dezembro daquele ano, o presidente Vitório Piffero afirmou que o clube não cogitava a contratação de técnicos estrangeiros. Além de Abel e Tite, falava-se em Mano Menezes, Luxemburgo e Celso Roth. Não houve avanço.

Dia 22 de dezembro o Internacional confirmou Diego Aguirre, vice campeão da América em 2011 pelo Peñarol, carrasco do próprio Inter  nas oitavas de final daquele ano.

A demissão de Aguirre, comandante do melhor brasileiro na Libertadores de 2015, é tão injustificável quanto a demissão de Marcelo Oliveira. O Cruzeiro apelou para Vanderlei Luxemburgo em busca de um efeito paliativo e hoje amarga a 12ª posição e uma distância de nove pontos para o G4...

Foi o mesmo que tentou fazer Vitório Piffero ao tentar tirar Argel do Figueirense. Após fracassar nas conversas com Sampaolli, receber um "não" de Mano Menezes e ouvir de Muricy que  deseja trabalhar somente a partir de janeiro de 2016.

Deixou evidente: Com acordo até o fim de 2015, Argel seria mandado embora  após o término do contrato. Supriria a ausência momentaneamente e ao fim de seu contrato estaria desempregado.

Fez bem em não aceitar.

Deve haver um encontro nesta quinta  entre diretores do clube gaúcho e o técnico do Figueirense. Argel deseja trabalhar até o fim do próximo ano.

E o  Inter segue sem técnico. Sem decisão, convicção, planejamento.  Que o sonho do Brasileiro que não vem desde 79  ficou distante é  claro. Mas será importante terminar 2015 dignamente. É possível.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Agora, só em 2016

Após o Grêmio ser finalista da Libertadores em 1984 e derrotado  para o Independiente na decisão, o Brasil ficou sete anos sem disputar uma final entre 1985 e 1991. Depois disso, em nenhum  momento houve duas finais seguidas sem equipes  brasileiras.

O título do River é o terceiro da história do clube e o 24º da Argentina, que supera o Brasil com folga. A discrepância no número de títulos é evidente, mas muito por conta da hegemonia dos hermanos na década de 70. Foram sete títulos entre 1970 e 1979.

O fato do Brasil voltar a ficar de fora das finais por dois anos seguidos não é o fator mais preocupante em questão. É somente mais uma estatística negativa, que demonstra claramente o fraco desempenho  nas duas últimas edições. 

Com a queda do Cruzeiro na quartas de final do ano passado, o Brasil voltou a ficar sem nenhum representante nas semi finais depois de 23 anos. Botafogo, Flamengo e Atlético Paranaense sequer passaram da primeira fase em 2014. É pífio.

A história poderia ter sido diferente em 2015. O Inter sofreu com a paralisação da competição por conta da Copa América, o Corinthians poderia ter ido mais longe se não fosse o péssimo jogo que fez com o Guaraní, na primeira partida das oitavas, no Paraguai. Atlético Mineiro e São Paulo enfrentaram rivais locais, e o Cruzeiro sentiu o desmanche de seu elenco.

Nunca na história as equipes brasileiras estiveram tão bem estruturadas para vencer a Libertadores. 

Pela primeira vez todos os representantes do país entraram na disputa como campeões do torneio. Mas o Corinthians de Tite deslizou em Assunção, o Cruzeiro do então técnico Marcelo Oliveira não soube administrar no Mineirão a vantagem construída no Monumental, o Inter sentiu a pressão do Tigres no México...e o título caiu novamente no colo dos nossos vizinhos. 

É preciso jogar mais, sofrer mais, querer em dobro. Em matéria de como jogar a Libertadores, o River deu uma aula aos brasileiros.

domingo, 2 de agosto de 2015

Imponente

O Palmeiras comandado por Marcelo Oliveira só perdeu uma vez. Na estreia, em Porto Alegre, 1 a 0 para o Grêmio. Depois do revés no sul, o verde emplacou quatro vitórias seguidas, empatou com o Sport em Recife, e voltou a vencer novamente por três vezes consecutivas. Sob o comando de Marcelo, o Palmeiras marcou 19 gols e sofreu 4. É incrível.

Os números de Palmeiras e Atlético Mineiro impressionam. Nas últimas oito rodadas, o alviverde fez 19 pontos. O Galo somou 21, apenas uma derrota em oito – para o Corinthians, em Itaquera – . Os números se assemelham e não é loucura comparar também o futebol apresentado. O time de Levir jogou menos do que pode contra Figueirense e São Paulo. Aparenta estar em declínio na questão física, mas segue vencendo seus jogos.

O Palmeiras está crescendo. E a tendência é continuar. Quando o elenco foi montado, ainda com a vistoria de Oswaldo de Oliveira, a intenção era fazer um grupo forte, homogêneo e capaz de evoluir em médio prazo. Dá mostras de que pode muito mais.

É justo dar méritos ao atual treinador. Mas covardia se esquecer de que quando Marcelo assumiu já havia um trabalho sendo feito. O trabalho de Oswaldo foi de construção, começou do zero.

Marcelo aperfeiçoou o que vinha sendo feito por seu antecessor. Agora, o Palmeiras joga pra frente. É insinuante, chama o torcedor. Seja dentro ou fora de seu estádio. Cria com facilidade, se defende com segurança, tem transição veloz.

Oswaldo de Oliveira deixou o Palmeiras após perder em Florianópolis para o Figueirense. Seu time foi melhor, teve mais a bola. Tocou, retocou...e perdeu o jogo. Precisou dar 32 passes para finalizar. A última partida do Palmeiras, sob o comando de Marcelo Oliveira, foram 278 passes e 17 finalizações. Média de 16 passes para cada chute ao gol.

O Palmeiras cresceu no campeonato e segue evoluindo como ninguém na competição. Se reencontrará novamente as conquistas, só o tempo dirá. Mas o verde está no caminho certo.

Encontro

É bom ver a Vila Capanema cheia. Na tarde do último sábado, em Curitiba, foram quase 15 mil presentes para Paraná 0-0 CRB. O Paraná está longe de ter o time ideal para se firmar como candidato ao acesso, mas enquanto as coisas não se ajeitam, é importante cultivar a relação entre clube e torcida e mantê-los próximos. A diretoria têm feito o possível.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Opostos

O início do São Paulo no Mineirão indicava uma noite feliz ao time de Juan Carlos Osório. Luis Fabiano e Paulo Henrique Ganso cumpriam bem o papel tático determinado pelo treinador colombiano: marcar os volantes do Atlético e complicar a saída de bola do rival. Deu certo até determinado momento.

Foram no mínimo três chances reais de gol, até Pratto marcar para o Galo aos 19 minutos e desestabilizar emocionalmente o São Paulo. Como de praxe acontece com a equipe do Morumbi.

O São Paulo jogou bem e a atuação dá esperança ao torcedor. É normal sentir o baque do gol sofrido, principalmente quando não consegue transformar a superioridade em gols. A evolução é perceptível e o desempenho ameniza o resultado, que não demonstra o que foi o jogo.

Mas a partida retratou bem o momento de ambos os clubes. Um São Paulo que não encontra consistência e repleto de desconfianças. O Atlético com sorte de campeão, conseguindo se safar nos momentos de dificuldade.

São onze anos sem vitórias do São Paulo diante do Galo em Belo Horizonte. Na tabela, oito pontos de diferença. A noite que quando começou aparentava ser tricolor, terminou alvinegra, como vem sendo sempre.

Se o Galo está faminto pelo Brasileirão desde 1971, a noite de quarta-feira foi um prato cheio para alimentar as esperanças de seu torcedor. O titulo pode até não ficar pelo terceiro ano seguido em Minas, mas que o Atlético está fazendo tudo certo para que isso aconteça, ele está.

Diferente

O adversário não permitia que a postura do Corinthians fosse outra. Era necessário sair pro jogo, adiantar suas linhas, ser criativo. Foram 19 finalizações, 27 desarmes. Os números lembram o time da Libertadores, mas o rendimento segue distante.

As peças são outras e não dá para esperar de Malcom e Vagner Love o mesmo de Sheik e Guerrero. Mas o Corinthians voltou a jogar pra frente, propondo o jogo, tomando as rédeas do confronto. Segue na briga, variando boas e más atuações, mas mantendo o imprescindível na caça ao Galo: os três pontos.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Plano falho

A derrota  no último sábado diante do Atlético PR no Estádio da Ressacada foi a terceira do Avaí dentro de casa neste Campeonato Brasileiro. Além dos três resultados adversos, o time de Gilson Kleina empatou três e venceu em duas oportunidades. Aproveitamento de 37,5% nos jogos realizados em Florianópolis. Fraco.

Por mais que tenha um aproveitamento superior jogando fora de casa (38%), e a conquista dos oito pontos como visitante o mantenha longe da zona de rebaixamento, o desempenho dentro de seu estádio preocupa.

É importante transformar sua casa numa armadilha ao rival, como faz a Chapecoense quando joga no oeste de Santa Catarina, por exemplo. Os adversários sentem-se à vontade quando vêm à Ressacada.

A derrota de  sábado não passa tanto por Juninho, que perdeu um pênalti aos 46 do segundo tempo e desperdiçou a oportunidade de empatar o confronto. É verdade que se o meio-campista da seleção do Timor Leste convertesse a penalidade, o jogo provavelmente seria empate. Apenas provavelmente porque o time de Kleina estava exausto àquela altura do confronto e se arrastava em campo. Não seria nada inesperado se Atlético fizesse o terceiro gol nos dois minutos restantes.

Resultado de uma estratégia equivocada e de um plano de jogo que falhou.

Kleina não tinha o garoto Renan e optou por Pablo para fazer dupla com Eduardo Neto. Ambos não têm característica de combatividade à frente dos zagueiros. Ficou escancarada a falta que o jovem de 17 anos faz ao time.

O Avaí tentou igualar com o Atlético na vitalidade, teve êxito pelo lado direito enquanto Nino Paraíba e Roberto trabalharam bem. Durou 45 minutos. Milton Mendes acertou a marcação pelo lado esquerdo de sua defesa e brecou as investidas do time da casa.

O primeiro tempo de jogo foi ótimo, principalmente no início. Confronto aberto, duas equipes buscando o gol em extrema velocidade. Foi mais feliz o rubro negro, que marcou primeiro e desestabilizou o rival, que virou bagunça total em campo.

O Avaí tentou demais, correu demais, e cansou cedo demais. O jogador mais velho do meio de campo do Atlético Paranaense é Nikão, com 22 anos. Otávio e Hernani têm 21, Marcos Guilherme 19 e Bruno Mota 20.

Quando Marcos Guilherme fez 2 a 1, aos 44 do segundo tempo, três jogadores do Avaí despencaram no gramado, totalmente esgotados. Reflexo de uma estratégia precipitada e de um time que se desorganiza facilmente quando encontra dificuldades.


Discrepância

O Palmeiras está no G4 pela primeira vez neste campeonato e o Vasco segue na parte de baixo. Juan Carlos Osório disse que não havia quatro gols de diferença entre Palmeiras e São Paulo quando o alviverde aplicou 4 a 0 no rival. Entre Vasco e Palmeiras há até mais.

O Palmeiras se preparou para estar onde está. Na perspectiva do Vasco para o Brasileirão, não havia nada além do que o time faz no campeonato. Os reservas do Palmeiras eram: Aranha, João Pedro, Nathan, Andrei Girotto, Amaral, Zé Roberto, Cleiton Xavier, Gabriel, Kelvin, Mouche, Cristaldo e Barrios. Quais não seriam titulares no Vasco?

A coluna de domingo(26) foi transferida para segunda(27) por motivos pessoais.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O destino desta Libertadores é irônico. E bondoso com o River

O Tigres precisou de 17 minutos para abrir o placar no belo Estádio Universitario de Monterrey. A vantagem do Inter escorria pelas mãos do colorado. Vantagem esta que se inverteu aos 40 segundo tempo e trocou de mãos justamente quando a equipe de Diego Aguirre se encontrava no jogo, graças ao gol contra do lateral Geferson.

A equipe de Ricardo Ferretti fez valer sua superioridade física e coletiva. Este que vos escreve alertou quinta-feira passada  do risco e das dificuldades que o Internacional encontraria no México. Não suportou.

O time mais regular da competição está na final. O Tigres teve a segunda melhor campanha da primeira fase e chegou para a última rodada da fase de grupos classificado, se dando ao luxo de poupar seus titulares e despertando ira na torcida do River Plate, que dependia de um resultado positivo dos mexicanos diante do Juan Aurich, no Perú.

No mata-mata desta Libertadores, seis times fizeram gol fora de casa na primeira partida. Apenas um não avançou, o Cruzeiro, nas quartas de final, diante do...River. Que volta a disputar uma final de Libertadores da América depois de 19 anos, quando bateu na final o América de Cali e conquistou seu segundo título.

A classificação dos argentinos para o mata-mata deste ano aconteceu na última rodada. A vitória diante do San José não bastava. Era preciso contar com a ajuda do Tigres, já classificado, que enfrentava o Juan Aurich fora de casa e com o time reserva. Os mexicanos viraram o jogo e venceram por 5 a 4, levando ao delírio os torcedores que aguardavam ansiosamente o fim do jogo no Monumental.

Por regulamento, a Conmebol  não permite que o segundo jogo da final seja realizado fora da América do Sul. Portanto, acredite: o River, de pior campanha entre os classificados, que só chegou às oitavas graças ao Tigres e que fez a metade dos pontos na primeira fase (7x14) que o rival, jogará a final em casa.

Se há alguém na América que o River deve algum favor, este alguém é o Tigres. É a terceira final de Libertadores de um time mexicano e a segunda entre mexicanos e argentinos.

Quarta que vem, no Estádio Universitario, começa a disputa. Novamente, sem brasileiros. A última vez em que por dois anos seguidos  o Brasil não teve nenhum representante na decisão foi em 1990 e 91.

domingo, 19 de julho de 2015

O Corinthians ganhou como nunca. E o Atlético jogou como sempre

Tite sinalizou sua estratégia para o confronto com o Atlético Mineiro ao optar por Rildo na vaga de Jadson, suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Ter um time mais incisivo, que pudesse agredir o rival atacando os espaços vazios em velocidade. Deu certo até os 15 minutos do primeiro tempo.

O Atlético se adaptou às condições do gramado de Itaquera e passou a controlar o jogo. Com boa desenvoltura, entrosamento e ultrapassagem dos laterais, envolveu o time da casa. Era só o principio da boa e convincente atuação do Galo em São Paulo.

O Corinthians não tinha outra alternativa que não fosse esperar o adversário na faixa central e tentar partir em velocidade quando houvesse erro atleticano. Conseguiu aos 41, quando Vagner Love infiltrou pela esquerda de ataque e serviu Malcom, que completou para o gol. O primeiro dele com a camisa alvinegra no Brasileirão de 2015.

A etapa complementar teve o mesmo panorama do jogo visto nos primeiros 45 minutos. Atlético adiantado, dando as cartas e desperdiçando chances. Só que com mais intensidade.

Levir terminou o jogo com Rafael Carioca, Guilherme, Giovanni Augusto, Cárdenas, Carlos e Pratto, todos atuando do meio pra frente. Fora os laterais, que se mandavam simultaneamente para o ataque. E só correu um risco no segundo tempo, no momento em que Mendoza parou no goleiro Victor, já nos acréscimos.

O Corinthians sentiu, evidentemente, a falta de Jadson. Pesou também a má atuação de Elias, discreto principalmente na segunda etapa. Venceu, mas não da maneira que está acostumado.

Foram 7 finalizações corintianas contra 16 do rival e dez desarmes a menos (24x34). Na posse de bola geral, o Galo também levou vantagem: teve 53%. Merecia melhor sorte.

O resultado iguala as duas equipes na classificação, ambas com 29 pontos. Mas não representa a diferença no conjunto entre os dois times. O trabalho de Tite no Corinthians é bom, mas está um estágio à baixo se comparado ao de Levir no Atlético. Hoje, no Brasil, ninguém joga como o Galo.

É o Pet

O Criciúma venceu o Bahia no sábado e encurtou a distância para o G4, que agora é de seis pontos. A vitória manteve a invencibilidade da equipe sob o comando do técnico Petkovic. São sete partidas sem derrotas, com quatro vitórias e três empates. 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pés pelas mãos

O julgamento do caso André Krobel caminhava de forma tranquila para o seu fim na OAB, em Belo Horizonte. Até que os auditores resolveram decidir o campeão catarinense, depois de julgarem o único ponto em questão no imbróglio: se a punição aplicada ao Joinville pelo TJD/SC  seria mantida ou não. Houve a manutenção de pena já esperada.

Mas os auditores foram além e mudaram o enfoque do julgamento. Ou melhor, acrescentaram na pauta outro ponto. E decidiram julgar os efeitos e reflexos da primeira decisão, apontando o Figueirense campeão. 

Ora, se o clube que foi primeiro colocado no hexagonal tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais e fazer a segunda partida em casa, o regulamento deveria ser seguido estritamente. E não pela metade, como fizeram os auditores.

No caso André Krobel, há precedências tanto a favor de Joinville quanto a favor de Figueirense. O que é injustificável é aplicar somente 50% da regra. Se o primeiro colocado foi apontado como campeão por obter dois empates nas duas partidas finais, ele deveria obrigatoriamente fazer o segundo jogo em seus domínios, como aponta claramente o regulamento.

Se o atleta relacionado de maneira irregular interferiu na partida é outra questão. Mas óbvio que a postura do Joinville nas finais seria outra se soubesse que os resultados iguais favoreciam seu adversário. 

Os auditores do TJD/SC, no julgamento em primeira instância, afirmaram mais de uma vez que a decisão do tribunal se limitava à perda de pontos. Os reflexos da decisão cabiam ao órgão que administra o campeonato, a Federação Catarinense de Futebol. 

É importante lembrar que o Joinville ganhou pontos no tribunal nos últimos três anos em que conseguiu acessos: 2010, na quarta divisão, 2011, na terceira, e ano passado, na Série B. Mas não justifica a decisão precipitada de ontem.

A FCF se omitiu e permitiu que o STJD se equivocasse, julgando além do que deveria. A irregularidade foi descoberta antes das partidas finais serem realizadas, ou seja, poderiam --e deveriam-- ser adiadas, até que houvesse uma decisão sobre quem teria as vantagens e o direito de fazer a segunda partida em casa. 

Mas o presidente da entidade, Delfim de Pádua Peixoto, amigo fiel de José Maria Marin, acusado e preso pelo FBI por corrupção, bancou a realização dos jogos por interesses comerciais...

Hoje, apenas o estado de São Paulo têm mais representantes na Séria A do que Santa Catarina. É uma pena que seja tão mal representado. Há mais de 30 anos...

Risco

Não restam dúvidas de que a parada da Libertadores por conta da Copa América foi um mau negócio para o Inter. A volta, contra o Tigres, pelo primeiro jogo da semifinal, preocupava. Pelo momento de instabilidade vivido no Campeonato Brasileiro.

Apesar do bom início, o Inter sentiu. O Tigres se encontrou após sofrer os dois gols no começo da partida e teve o controle na maior parte do jogo. Muito por conta da questão física. O ritmo da equipe não é o mesmo. 

No mata-mata desta edição da Libertadores, cinco times marcaram gols fora de casa na primeira partida. Só um não avançou à fase seguinte: O Cruzeiro, diante do River. O Tigres é o sexto. 

sábado, 11 de julho de 2015

Recomeço

Após a demissão de Enderson Moreira pelo Santos, em março, três nomes surgiram na Vila Belmiro para repôr a saída do treinador: Vagner Mancini, Dorival Júnior e Argel Fucks. Enquanto a diretoria não chegava num consenso, o interino Marcelo Fernandes tomou as rédeas no trabalho. Os resultados vieram e ele foi mantido. Terminou campeão paulista.

Naquela ocasião, ao ser cogitado o nome de Dorival no comando santista, fiz um comentário de que o ex. treinador do Palmeiras precisava mais do Santos do que o clube precisava de seu trabalho. Até porque a causa da demissão de Enderson não foram maus resultados. O motivo foi o péssimo relacionamento com alguns garotos do elenco.

Dorival precisava de uma oportunidade para alavancar novamente sua carreira. Não aconteceu naquele momento.

Agora a situação é outra. O Santos precisa urgentemente que um fato novo se estabeleça e mude o rumo da equipe, que caminha a passos largos para o seu primeiro rebaixamento. Marcelo Fernandes não conseguia extrair mais nada de um grupo jovem, que evidencia a cada rodada sua fragilidade em assimilar a crise sob pressão.

Os três últimos trabalhos de Dorival foram terríveis. Na reta final do Brasileirão de 2013 deixou o Vasco na zona de rebaixamento. Em seguida assumiu o Fluminense e só não foi rebaixado porque a Portuguesa escalou Héverton de forma irregular diante do Grêmio...

Seu último trabalho foi no Palmeiras, no fim de 2014. Escapou da queda por muito pouco, graças ao Santos, que venceu o Vitória em Salvador na última rodada.

Dorival perdeu o prestígio, definitivamente. Hoje, às 18:30, na Vila, reestreia no comando do Santos diante do Figueirense, clube em que conquistou seu primeiro título como treinador. O tri campeonato daquele ano fez com que o Figueira igualasse o Avaí em número de conquistas estaduais: 13.

Cinco anos depois Santos e Dorival Júnior voltam a se encontrar. Se o casamento terá final feliz outra vez, só o tempo dirá. Mas agora, mais do que nunca, eles precisam um do outro.

OBS: A coluna de domingo (12) foi antecipada para sábado (11) por motivos pessoais.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O Palmeiras embalou. E a freguesia continua

Marcelo Oliveira e seu grupo de jogadores julgavam como fundamental atingir a meta traçada após derrota frente ao Grêmio, em Porto Alegre,  para as próximas quatro partidas da equipe. O clássico contra o São Paulo e os confrontos diante de Chapecoense, Ponte Preta e Avaí. 

100% de aproveitamento e metas alcançadas. Quarta vitória em menos de duas semanas, onze gols marcados e nenhum sofrido. Desempenho numérico espetacular --poderia ser melhor se o auxiliar validasse o gol legal de Kelvin contra o Avaí-- e atuações razoáveis. 

Importante para uma equipe que busca firmação e consistência. O Palmeiras soube sofrer contra Chapecoense e Ponte. Na partida de ontem não foi diferente. 

Quando o adversário adiantava a marcação, Gabriel e Arouca se atrapalhavam na saída de bola. Rômulo pela esquerda e Anderson Lopes na direita dificultaram a projeção com posse de bola dos laterais. Lucas e Egídio foram os jogadores que mais erraram passes pelo lado verde.

Com exceção aos primeiros 15 minutos do segundo tempo, o time de Marcelo Oliveira controlou as ações do jogo. Buscou sempre o ataque, jogou junto com os 37 mil presentes. Vitória merecida.

O Palmeiras manteve sua postura agressiva. De buscar os lados do campo, com movimentação e ultrapassagem dos laterais. A quarta vitória seguida no Brasileiro não acontecia desde 2009, ainda sob o comando de Muricy Ramalho.

O início daquela sequência começou justamente contra o Avaí. E pelo mesmo placar: 3 a 0. Depois o alviverde derrotou Náutico, Flamengo e Santo André.
Foi a décima vitória diante dos catarinenses. Em treze confrontos, somente uma derrota, em 2011, na Ressacada.

Desconfiança

O Inter em 2006 foi o único brasileiro que venceu a Libertadores e brigou por título no Campeonato Brasileiro. É complicado conciliar as duas competições, isso é fato.

A questão agora é que o time de Aguirre vive seu pior momento na temporada. São três derrotas seguidas, oito gols sofridos. Em seis dias esse time estará entrando em campo pelo primeiro jogo da semi-final da Libertadores. É preocupante.

domingo, 5 de julho de 2015

Retrospecto e momento ajudam, mas Fla precisa se ajudar

O Flamengo que venceu em Joinville na última quarta-feira foi outro. Diferente daquele que perdeu o clássico para o Vasco em Cuiabá e que tropeçou em casa no Atlético Mineiro. Houve evolução.

É normal que aconteçam oscilações em uma equipe em construção. Cristóvão têm sete jogos sob o comando rubro-negro: quatro derrotas, três vitórias. Mas a última partida em Santa Catarina foi diferente das outras. 

O Flamengo jogou de forma inteligente. Com lucides, soube explorar as limitações do Joinville de Adílson que se assemelha em uma característica com a equipe de Cristóvão: se atrapalha quando precisa propôr o jogo.

O garoto Jorge deu outra dinâmica pelo lado esquerdo, assim como  Ayrton na direita. O time demonstrou maturidade, venceu finalizando mais (8x11) e abrindo mão da posse de bola (62x38). Foi objetivo e venceu. A estratégia foi bem sucedida e não há como tirar os méritos, ainda que a forma em que a equipe busca o resultado não empolgue o torcedor.

Quando precisou ditar o ritmo da partida o Flamengo se complicou. Só venceu uma partida em casa, no dia seis de junho, contra a Chapecoense. O gol marcado por Gabriel saiu num lance inusitado e no momento em que o adversário já tinha um jogador a menos...

A vitória na Arena Joinville trouxe tranquilidade para seguir o trabalho. Ainda é pouco, evidentemente. Mas a evolução demonstrada permite o torcedor sonhar com algo a mais. 

Hoje, no Maracanã, o Flamengo defende uma invencibilidade de oito anos diante do Figueirense. A última derrota foi em 2007. De lá pra cá foram nove jogos, seis vitórias e três empates.

Coroou

A vitória do Chile na disputa por pênaltis ontem, em Santiago, coroou o grande trabalho de Sampaoli no comando de La Roja e foi o prêmio à melhor geração da história do país. O Chile foi melhor durante toda a partida. Mereceu.

Pouco mais de um ano atrás foi castigado no Brasil. Dominou a Seleção Brasileira nas oitavas de final, teve a bola de Pinilla na trave no último lance da prorrogação...e perdeu nos pênaltis. 

Mas 2015 a história foi outra. Os comandados de Sampaoli marcam para sempre seus nomes na história do futebol do país. A equipe envolvente, de marcação avançada e que encheu de orgulho um povo apaixonado por futebol que carecia de uma conquista. E ela veio.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Início do Atlético PR é o melhor da história do clube na era dos pontos corridos

Milton Mendes chegou sob desconfiança ao Atlético. Era mês de abril, o clube lutava contra o rebaixamento no estadual e vivia uma das piores crises de sua história. Foi a pior campanha dos últimos 35 anos do clube da baixada no campeonato regional.

É possível fazer uma lista com todos os erros da diretoria do Atlético nesta temporada, principalmente no primeiro semestre. A falta de planejamento ao tirar o time principal da pré-temporada e pôr para jogar o estadual imediatamente, com a intenção de resolver todos os problemas e conseguir a classificação. Não dava mais tempo.

Já comandado por Milton, safou-se do vexame do rebaixamento, mas não evitou a queda trágica na segunda fase da Copa do Brasil. Eliminação precoce diante do frágil Tupi, em plena Arena da Baixada.

Era inimaginável projetar um bom segundo semestre. Com as falhas da diretoria, sobretudo na área do futebol, as eliminações no Paranaense e Copa do Brasil. Mas o cenário mudou. Hoje, menos de dois meses depois da fatídica queda diante do Tupi, o Atlético faz o que não fez em nenhum outro momento do ano: joga bem. E está no g4.

O atleticano mais otimista não esperava. Após o triunfo sobre o São Paulo --mantendo a invencibilidade de 15 jogos diante do tricolor na Baixada--, o Atlético supera todas as suas campanhas na era dos pontos corridos. Com 19 pontos em dez rodadas, deixa pra trás a campanha do ano passado, onde somava 16 pontos nas dez primeiras partidas.

O tempo dirá

Só dois clubes na Série A trocaram de técnico três vezes na temporada: Fluminense e Atlético PR. Hoje protagonizam uma disputa ferrenha pela quarta posição. É contraditório.

Não tem como não valorizar os trabalhos. Tanto Enderson Moreira quanto Milton Mendes possuem seus méritos. O primeiro tem um mês e dez dias de trabalho, o segundo dois meses e doze dias. A questão é saber se o efeito é paliativo ou o trabalho será bom a longo prazo. O fato é que Flu e Atlético vencem e jogam bem.

domingo, 28 de junho de 2015

Quem não tem cão...

O torcedor do Corinthians esperava um time presente no campo de ataque e abafando o Figueirense em sua saída de bola. Com o anúncio da escalação -- apenas Bruno Henrique como marcador no setor de meio --, o público presente em Itaquera alimentou uma expectativa de marcação avançada da equipe, jogando sob pressão.

O esquema com apenas um volante já era sabido por todos. Tite treinou durante toda a semana e deixou claro que jogaria desta maneira. Não houve mistério, é verdade. Justamente por isso se esperava uma equipe mais insinuante do que o normal, devido ao alto número de jogadores com características ofensivas (cinco).

Mas Tite sabia que seria arriscado avançar para marcar. Bruno Henrique ficaria sobrecarregado na contenção de uma linha com quatro meia ofensivos, sem características de marcação. Ainda mais com Uendel e Edílson nas laterais. Por mais que sejam bons apoiadores, deixam a desejar na defesa.


Sem a bola, Corinthians se retraia para proteger Bruno Henrique

Por isso a postura foi de cautela quando o Figueirense tinha a posse. Não havia pressão nos zagueiros e laterais. A linha formada por Luciano, Jadson, Renato Augusto e Malcom se posicionava na faixa central quando não tinha a bola e deixava o adversário sair tocando.

Há quem questione a atuação, justificando que o grande futebol apresentado no início do ano tinha somente um volante de contenção. De fato, era Ralf. Mas tinha Elias na segunda linha ao lado de Renato Augusto. O volante da Seleção Brasileira dá outra consistência à equipe.

Elias permite também que a equipe de Tite seja mais agressiva. A capacidade de infiltração do volante é fundamental no esquema. Sábado, sem este jogador, o Corinthians sofreu para entrar na área do adversário pelo meio.

O gol saiu em bela triangulação  pelo lado esquerdo. Renato Augusto viu bem Uendel, que serviu Vagner Love praticamente dentro do gol de Alex, que nada pode fazer. Depois o atacante sofreu pênalti, convertido  por Jadson. O Figueira descontou com Thiago Santana, em bonito passe do garoto Clayton. E ficou nisso.

O Corinthians vai retomando a confiança e vencendo. Com todos os problemas internos e o desmanche de praticamente meio time, a quinta colocação é ótima e surpreende.

Com a precaução necessária o Corinthians venceu. Mas não convenceu.

A melhor escolha

O Grêmio encontrou seu treinador. A diferença do nível técnico e tático entre o time de Felipão e Roger Machado é discrepante.

Emplacou três vitórias seguidas e venceu a primeira partida longe de Porto Alegre. E jogando bem, sempre ao ataque.

Se o saldo nesta altura do campeonato é positivo ao Corinthians, para o Grêmio é ainda mais. Quando foi à Curitiba na segunda rodada e perdeu, a equipe deu sinais de que o ano tinha tudo para ser terrível. Felipão caiu.

Roger tem tudo para dar certo. O trabalho está vingando e o horizonte  de 2015 repleto de incertezas começa a clarear.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A vez do Chile

O Chile é de fato um dos favoritos ao título da Copa América. E por motivos claros: Joga em casa, está ajustado e tem a tabela a seu favor. Porém, em contrapartida, pode se complicar. Ser anfitrião têm suas vantagens: atmosfera favorável, tabela feita para que você não encontre os adversários mais fortes logo no início, motivação em alta, entre outras.

Mas a responsabilidade de jogar em casa pesa. Principalmente se as coisas não acontecem inicialmente da maneira esperada. No caso de La Roja ainda mais: Nunca venceu o torneio e não chega às semifinais desde 1999.

A seleção de Jorge Sampaolli joga bem, dá as cartas do jogo, é insinuante. Convence! Mas sofreu para vencer a ferrenha defesa uruguaia, que não fez questão de ter a bola e se contentou em apenas desconstruir as tentativas dos anfitriões. Foi pouco.

Aos 18 da segunda etapa Cavani foi expulso e tornou o cenário ainda mais favorável ao Chile, que precisava marcar um gol para ir à semifinal. Ansiosos, os donos da casa sentiram o peso. Seria desastroso ficar no empate e decidir nos pênaltis. Naquela altura, era o sonho de qualquer uruguaio.

Em um rebote, Valdívia serviu Isla na entrada da área. O lateral emendou no canto esquerdo de Muslera, que mal posicionado, nada pode fazer. O Estádio Nacional de Santiago veio abaixo e o Chile confirmava sua volta às semifinais depois de 16 anos.

Se confirmar seu favoritismo diante de Bolívia ou Peru na próxima fase, a seleção de Sampaolli estará na final dia quatro de julho. É a tendência.

O Chile não disputa uma final de Copa América desde 1987, na Argentina. Para tanto, será preciso manter o nível de futebol jogado e o mesmo controle emocional de quarta-feira. La Roja está forte!

domingo, 21 de junho de 2015

Há 45 anos Brasil batia Itália no Azteca e conquistava o tri. E se tornava definitivamente dono da Jules Rimet

Talvez a decepção da Copa de 1966 tenha contribuído emocionalmente. Ou quem sabe o auge da ditadura militar vivida pelo país na época também tenha sua parcela de influência. Mas o que realmente ficou marcado na história foi a festa, a lembrança de uma das melhores seleções de todos os tempos e claro, a terceira conquista do país em mundiais.

Pelé, Tostão, Jairzinho, Gérson, Rivelino e companhia. Zagallo era o treinador da seleção que conquistara seis vitórias nos seis jogos que disputaria durante aquela Copa. Marcou 19 gols e sofreu 7. Na final, diante da Itália, aplicou sonoros 4 a 1, confirmando sua soberania no futebol mundial.

Antes de enfrentar a Itália na final, a equipe do capitão Carlos Alberto Torres deixaria pra trás Peru, 4 a 2 nas quartas de final e Uruguai, 3 a 1 na semi final. Por sua vez, a Itália desbancaria o México em Toluca por 4 a 1. Na semi final, duelaria com a Alemanha, na Cidade do México, onde proporcionariam um dos maiores jogos da história das Copas.

Os italianos venciam por um a zero até o último instante do jogo, quando Schnellinger empatou para a Alemanha Ocidental. Na prorrogação, foram cinco gols. Müller marcou duas vezes para os alemães, Burgnich, Riva e Rivera fizeram para a Itália, que venceria por 4 a 3 e carimbava o passaporte à sua terceira final.

Na decisão, em 21 de junho de 1970, 108.000 pessoas lotaram o tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, e viram uma atuação de gala da seleção brasileira. Pelé abriu o placar logo aos 18 minutos da etapa inicial. No fim do primeiro tempo, Boninsegna empatou para a Itália. Os gols da vitória vieram no fim, com Gérson aos 65, Jairzinho aos 70 e, pra fechar, Carlos Alberto Torres, o capitão, aos 86.

E coube ao ex. lateral direito da seleção levantar pela última vez a Taça Jules Rimet, que como havia determinado o terceiro presidente da FIFA e idealizador do troféu Jules Rimet (1873 - 1956), ficaria por definitivo com a seleção que conquistasse pela primeira vez o tri campeonato.

Fim do jejum e da instabilidade

O Atlético encontrou novamente o caminho da vitória. E provou que a derrota para o Cruzeiro no Independência e o empate com o Santos, também em casa, foram acidentes de percurso. 

O time de Levir ganhou com tranquilidade e cessou a desagradável série de derrotas para o Flamengo longe dos seus domínios. Perdeu todos os confrontos como visitante nos últimos quatro anos e não vencia no Rio de Janeiro desde 2008.

Contou com a sorte no gol contra de Samir aos 21 do primeiro tempo, mas mostrou segurança e inteligência controlando a partida. Pratto fechou o placar no fim da etapa inicial com belo gol.

O Galo está forte. E faminto para repetir 1971.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sinal amarelo

Caiu por terra a invencibilidade de Dunga sob o comando da Seleção Brasileira. Onze jogos, onze vitórias. Os números eram, de fato, inquestionáveis. Mas não significavam nada para o futebol brasileiro. Absolutamente nada!

No primeiro grande teste da equipe, diante de uma seleção forte e numa partida oficial, o primeiro revés. Mas o resultado há de ficar em segundo plano, ainda que o Brasil carregasse consigo uma invencibilidade de 24 anos diante dos colombianos.

A forma em que ocorreu é o que preocupa. E muito.

Sem criatividade e com uma saída de bola quase que inexistente, os comandados de Dunga protagonizaram um primeiro tempo terrível em Santiago.

E prosseguiu a única alternativa de jogo da equipe: Neymar, Neymar e Neymar...

Só que ele não estava bem. Nada bem, por sinal. Pela questão emocional, talvez (está sendo investigado pela justiça da Espanha). Errou, xingou, fez confusão. Foi expulso.

É aceitável que uma equipe se arme e jogue exclusivamente em função de um único jogador. Se não há outras alternativas, é plausível.

Mas quando existem totais condições para que o desempenho do time seja convincente, com um mínimo de padrão de jogo?!

Se perguntar não ofende, o que mostrou a seleção além dos lampejos do atacante?

A resposta virá de quem pôs na conta da arbitragem o desempenho medíocre de sua equipe. Acredite se quiser.

Lembrança amarga

O Figueirense não perde em casa a mais de seis meses. A última derrota foi justamente contra o Internacional, adversário desta quinta. Para manter a invencibilidade, o alvinegro terá de quebrar um jejum de sete anos. 

A última vitória diante do Inter em Florianópolis foi em dezembro de 2008, última rodada do campeonato. Naquela oportunidade, após sete anos de permanência, o Figueira foi rebaixado pela primeira vez na era dos pontos corridos.

Conforto?

A situação do Joinville é complicada. Lanterna, apenas um ponto conquistado em sete partidas. Ainda é cedo pra fazer qualquer previsão, faltam 31 rodadas. Mas um ponto em vinte e um é péssimo.

Só o Atlético Paranaense fez campanhas parecidas. Em 2005 e 2011, em ambas tinha somente um ponto, assim como o tricolor tem atualmente.

O Atlético escapou em 2005 e caiu em 2011. Na era dos pontos corridos, seis clubes que amargavam a lanterna na sétima rodada terminaram rebaixados. Os outros seis conquistaram a manutenção. Figueirense (2014), Atlético GO (2010),  Atlético PR (2009), Fluminense (2008), Atlético PR (2005), Paysandu (2004) e Figueirense (2003).

domingo, 14 de junho de 2015

O defeito voltou

O título desta postagem é uma alusão ao comentário do presidente do Vasco, Eurico Miranda, após a conquista do Campeonato Carioca pelo cruzmaltino depois de 12 anos de jejum. O cartola afirmou que "o respeito voltou".

Não voltou.

O que voltou foi a fragilidade da defesa vascaína, ponto forte da equipe até pouco tempo atrás. Firme na Serie B (com Adílson e depois Joel), no Carioca e também nas primeiras rodadas do Brasileirão, a consistência desapareceu. Assim como a boa fase.

Na quarta rodada do Brasileiro o Vasco visitou o Atlético MG e perdeu por 3 a 0. De lá pra cá, os comandados do técnico Doriva acumulam quatro derrotas seguidas e onze gols sofridos.

Antes da sequência negativa, a equipe levou doze partidas para sofrer o mesmo número de gols. A média anterior era de 0,9 gols sofridos por jogo e nos últimos quatro compromissos subiu para 2,75. É preocupante.

É claro que não dá pra comparar o nível técnico do campeonato estadual com o Brasileiro. O Vasco precisa de reforços, isso é lógico. Mas não houve tanta mudança para o time que venceu Fluminense, Botafogo e Flamengo sem sofrer gols no primeiro semestre e que teve sua defesa vazada somente uma vez nas três primeiras rodadas do campeonato nacional.

Aparenta ser questão de autoestima, desconfiança. O time é fraco, mas já demonstrou que pode render mais. E precisa. Caso contrário, o respeito que não voltou ficará ainda mais distante de retornar.

Novos ares

O Corinthians conseguiu emplacar pela segunda vez no campeonato duas vitórias seguidas. Vitória sobre o Inter que o coloca provisoriamente no grupo dos quatro primeiros. 2 a 1.

Enquanto a equipe não engrena e não encontra sua melhor forma, vencer é sempre importante. A nebulosidade parece estar deixando Itaquera.

100%

O São Paulo também venceu e quebrou a invencibilidade da Chapecoense em seus domínios. Foi a quinta vitória do tricolor em sete partidas, o que o coloca na liderança. Para se manter lá, vai precisar torcer para que o Atlético Paranaense não vença o Grêmio, em Porto Alegre.

Foi a segunda partida em que Juan Carlos Osorio comandou a equipe à beira do gramado. Dois jogos, duas vitórias.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Fogo amigo

O clássico  entre Avaí e Figueirense não terá setor misto. Projeto re-lançado pelo Inter no clássico Grenal, em março, não recebeu o aval da polícia militar do estado de Santa Catarina, que vetou a ideia. Mas e daí?

O clássico número 443 de Florianópolis pode  ter paz. Como nos anos anteriores, onde a minoria cheia de má intenção era facilmente controlada pela polícia -- geralmente fora dos estádios.

Em tese, o objetivo principal da ideia é tornar o ambiente do futebol mais humanizado. Mas a questão é que os torcedores que vão ao setor destinado têm total consciência e educação, e conseguem viver com respeito ao próximo apesar de vestirem camisas distintas.

O grande reflexo da campanha está no constrangimento causado ao torcedor lunático, que não consegue aceitar que o outro torça para um time diferente do dele. Válido, mas não é suficiente para acabar com o clima tenso.

O atual momento da rivalidade da capital tem um agravante. E não há cavalaria que dê conta, nem torcida mista que iniba, muito menos campanha de televisão que impeça. O problema está vindo de dentro das quatro linhas e influenciando diretamente quem gosta de confusão.

É preciso que parem as joelhadas, os socos, os vídeos de incitação à violência. Necessário que haja o mínimo de respeito e profissionalismo por parte daqueles que tem um único dever: trabalhar com lealdade os 90 minutos.

Porque depois que acaba a entrevista coletiva, acompanhado de seu segurança, volta de carro para seu condomínio residencial. Seu irmão estará lá, sua mulher também e os filhos idem. Assim é fácil ser valente.

domingo, 7 de junho de 2015

Vitória da paz

Ainda não é o momento para avaliar o trabalho de Cristóvão e a evolução de sua equipe. Ontem ele completou 10 dias no comando do Flamengo, fez sua terceira partida à beira do gramado e venceu a primeira sob o comando rubro negro.

Não jogou bem, é verdade. Mas ditou o ritmo do jogo e buscou o gol desde o primeiro minuto. A Chapecoense pouco agrediu, não teve poder de criação com Wagner, solitário na armação. Presa fácil para Jonas, Canteros e Márcio Araújo.

Mas venceu. Assim como o Corinthians de Tite, e no momento certo.

A semelhança está na vitória. Na retomada da confiança, da tranquilidade. A diferença é que o paulista  treina desde janeiro com o mesmo técnico, vive crise interna, mas já jogou bom futebol em 2015.

A vitória em Joinville valeu pelos três pontos, mas o saldo positivo da semana foi a boa partida diante do Grêmio, apesar do revés. A missão de Tite é resgatar o Corinthians do início do ano, agora sem Guerrero e Emerson.

No Flamengo é preciso ter calma e confiar em Cristóvão. A vitória agrega confiança, imprescindível para um trabalho que está começando.

A volta de Samir dá tranquilidade ao setor defensivo, as chegadas de Ayrton, Alan Patrick e Emerson acirra a briga por posições dentro do elenco. Guerrero é um grande acréscimo, mas só depois da Copa América.

O Flamengo vai se ajeitando. A semana na gávea será diferente das últimas: terá paz!

Dono da Europa

O Barcelona cravou pela quarta vez nos últimos dez anos sua bandeira em mais uma capital europeia. Campeão em 2006 em Paris com gol de Belletti (o único gol do lateral com a camisa blaugrana foi o do título), em 2009 no estádio Olímpico de Roma, 2011 em Londres e, agora, na capital alemã, Berlim.

Quatro conquistas em dez anos, dinastia só superada pelo Real Madrid de cinco títulos entre 1955 e 1960 e o Liverpool, quatro vezes campeão durante o período 1977-1984. Foi a quinta taça do clube, que agora iguala em número de conquistas com o Bayern de Munique e Liverpool.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Momento oportuno

Vanderlei Luxemburgo estreou sob o comando do Cruzeiro na noite de ontem, no Mineirão. Vitória mínima diante do seu último clube, o Flamengo de Cristóvão Borges. Triunfo celeste que manteve os rubro-negros no Z4, famosa zona da "confusão", apelidada por Luxemburgo. E o Cruzeiro saiu de lá.

Vanderlei não é unanimidade em Belo Horizonte. Não há concordância geral entre os dirigentes, muito menos entre os torcedores. A saída de Marcelo Oliveira também não foi de entendimento único. Pesou a ideia da maioria dos diretores, mas não houve aprovação total. O presidente Gilvan de Pinho Tavares era contra a demissão do treinador.

Não é possível elencar motivos plausíveis para a decisão. Bi campeão brasileiro, aproveitamento de 68% durante dois anos e meio de trabalho. O fato é que o técnico campeão das duas últimas edições do Campeonato Brasileiro está desempregado. E lembre-se que o último título de seu sucessor foi o Carioca de 2011...

Mas se tinha algo que gerava descontentamento no lado azul da capital mineira era o fraco desempenho do clube em clássicos diante do Atlético. O Cruzeiro não vence o rival desde julho de 2013.

De lá pra cá, sempre sob o comando de Marcelo Oliveira, foram onze clássicos. Cinco empates e seis derrotas, a última na semifinal do campeonato mineiro, que culminou com a eliminação celeste.

Havia o contestamento por parte da torcida, é inegável. E isso pesou também para a demissão do treinador.

Mas Luxemburgo pode mudar a história recente dos confrontos. Se sonha com a volta por cima, é o momento propício para embalar a segunda vitória e findar o jejum azul de onze partidas diante do maior rival.

De volta a realidade que não existia

O Corinthians aparenta estar numa crise técnica gigantesca devido ao ótimo desempenho que apresentou no início do ano. Precisou atingir um nível físico no meio do primeiro semestre que deveria estar sendo atingido somente agora. 

O time de Tite não iludiu seu torcedor. Mas agora joga menos do que vinha jogando, evidentemente. 

Mas o problema não é só físico. O planejamento foi mal feito e agora terá de conciliar a pressão da torcida e a falta de dinheiro com a consequente debandada de seus principais jogadores.

domingo, 31 de maio de 2015

Esqueça a primeira vez

Não há justificativa para os 100% de aproveitamento da Chapecoense em casa e os 0% longe de seus domínios. São apenas quatro jogos.

Perder para  Corinthians e Ponte Preta no estado de São Paulo está dentro da normalidade. Assim como vencer Coritiba e Santos em Chapecó não é algo extraordinário.

Fora do comum é lançar a bola ao ataque 54 vezes. Sem fazer com que ela passe pelo meio de campo e chegue aos atacantes minimamente bem trabalhada. Facilita a vida do rival e dificulta a atuação do meia armador.

É o caso de Hyoran, isolado e sobrecarregado no sistema de Vinicius Eutrópio. O garoto tem tendência a cair pelo lado esquerdo, auxiliado por Dener e Gil.

No lado oposto, Ananias faz mesma função. Exerce melhor, tem características mais propícias. Velocidade, drible, transição rápida...

A trinca  com Gil, Elicarlos e Bruno Silva dá consistência ao sistema. Dá também liberdade aos três jogadores de frente. Mas a bola precisa sair mais redonda dos pés dos volantes.

Na noite de ontem, em Campinas, a Ponte foi bem superior. Com dois volantes de contenção, dinâmica pelos lados e organização com Renato Cajá em ótima fase. Venceu por 3 a 1, na primeira partida entre as duas equipes na história da Série A.

Foram 26 desarmes do time campineiro contra 12 da burocrática Chapecoense que joga com três marcadores. Gil não tem qualidade de passe pra ser segundo homem de meio. Bruno Silva menos ainda. Podem jogar juntos, mas sem a responsabilidade de organizar o time a partir da faixa central.

Cisma

Há quem insista em dizer que o Avaí precisa de atacantes. Dos cinco gols da equipe de Gilson Kleina no Brasileiro, quatro deles saíram dos pés de atacantes. Hugo duas vezes diante do Flamengo, Anderson Lopes e Roberto contra o Coritiba. 80%!!!

Pela Chapecoense, só Roger marcou. No Joinville, Rafael Costa fez o único da equipe no campeonato. E no Figueirense, por enquanto, os homens de frente ainda não trabalharam.

Entre os vinte times, o Avaí foi quem mais marcou com seus homens de área (4). A Ponte teve 3 gols assinalados por atacantes, assim como Grêmio e São Paulo.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Replay

A festa de quartas de final no Mineirão foi novamente Argentina. Ainda é, será amanhã e continuará sábado pelos lados do Monumental de Núñes.

E foi porque o Cruzeiro não transpirou a disputa, entrou frio e disposto a empatar. Diferente da primeira partida, onde demonstrou equilíbrio e espírito de Libertadores. 
Venceu quando não tinha a obrigação e, aonde deveria fazer valer a sua força, fraquejou. E caiu diante do River.

Puro descaso celeste diante do rival. O lance de Willian, aos dois minutos, evidencia isso. Imprudência do camisa 25, que poderia evitar a tragédia da noite se tivesse o mínimo de frieza na frente de Barovero.

Ou ela seria inevitável? 

O Cruzeiro errou um passe a cada dois minutos. Marcou mal e não teve saída de bola eficiente. Reflexo do espaçamento entre os setores. 

Nada deu certo. A noite era mesmo dos Milionários.

Pelo segundo ano seguido a equipe de Marcelo Oliveira fica pelo caminho nas quartas de final do torneio. Novamente diante de um Argentino, outra vez no Mineirão.

E o torcedor do River mais otimista já projeta um final igual ao do San Lorenzo.

O tempo não para

É verdade que Oswaldo ainda não deu uma cara ao Palmeiras. Em quatro meses de trabalho é possível, mas não obrigação. O time defende bem e cria, mas falta o primordial: confiança. Ela só virá com vitórias.

É preciso dar crédito ao trabalho e confiar. A demissão de Vanderlei Luxemburgo do Flamengo faz com que Oswaldo sinta-se menos confortável no cargo. Mas questiona-se que Vanderlei  já não é mais o mesmo. Ora, é o próprio. O futebol é quem mudou.

domingo, 24 de maio de 2015

Obrigado, Jürgen

A temporada 2014/15 dava sinais de que seria horrorosa para o Borussia Dortmund. O clube era lanterna da Bundesliga até a décima nona rodada e não demonstrava consistência suficiente para emplacar uma reação. Havia a preocupação, ainda que a superioridade técnica sobre os adversários fosse evidente. 

A décima nona rodada, segunda do returno, foi a última vez em que o Borussia amargou a lanterna. Na 20ª venceu o Freiburg fora de casa por 3 a 0 e de lá arrancou para a sétima posição, classificado para a Liga Europa. 

Na vitória em Freiburg, oito jogadores que jogaram contra o Bayern de Munique a final da Champions League em Wembley, dois anos antes, estiveram em campo. A defesa composta por Weidenfeller, Piszczek, Subotic, Hummels e Schmelzer foi a mesma. Além de Gundogan, Reus e Şahin. 

Algo estava errado.

Era questão de tempo a reação aurinegra. Aos poucos as coisas foram se normalizando e o Dortmund crescendo na tabela. Quando a tempestade passou, Klopp anunciou sua saída do clube. Era o anúncio do fim de uma era histórica.

Foram sete temporadas à frente do clube. Conquistou duas vezes a Bundesliga e a Supercopa da Alemanha e venceu a Copa -- no próximo sábado pode conquistar mais uma --. Além, é claro, da bela campanha na Champions de 2012/13, vice campeão diante do Bayern, em Londres. 

Hoje Klopp se despediu do Signal Iduna Park como técnico. O mosaico atrás do gol trazia mensagem de agradecimento: "Danke, Jürgen". 

Para Klopp "foi uma das melhores histórias no futebol que já ouvi." 

E para nós também.

Tarde de despedidas

O texto principal já trata de uma. Mas é bem verdade que Sebastian Kehl, assim como Klopp, também se despediu hoje do Signal Iduna Park. O volante de 35 anos anunciou sua aposentadoria após defender por 13 anos o Borussia Dortmund.

Outro que se despediu foi Xavi. Na festa do título do Barça, o espanhol teve todas as homenagens cabíveis. Jogou, chorou, fez discurso. Xavi merece.

Desde 1998 no clube, viveu todos os momentos possíveis. De glórias, fracassos, mudanças. Foi peça chave na transição de filosofia de jogo, sendo líder e ditando o ritmo do fantástico Barcelona de Pep Guardiola. 

Jogará no Catar por decisão própria e nem por isso perderá o prestígio. Pelo contrário. O caráter e a dedicação não tem preço. O respeito é pra sempre.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

O Grêmio forte de 2014. Lembra?

Felipão estava convicto de que deveria descansar com a família após aquele 08 de julho. Dar um tempo, refletir sobre o atual momento e se afastar o máximo possível de todas as críticas acerca do seu maior fracasso.

Mas não soube dizer não ao presidente Fábio Koff, duas semanas após o fim da Copa do Mundo. Luis Felipe mudou de ideia, convencido por Koff de que aquela seria a grande oportunidade para dar a volta por cima e mostrar seu valor. E mostrou.

Felipão foi valente e tirou o Grêmio da décima primeira posição. O aproveitamento que antes era de 45% passou para 58% sob o comando do treinador -- mesmo aproveitamento de Inter e Corinthians, classificados à Libertadores.

Foi sexto colocado e dono da melhor defesa do Brasileiro (24 gols). Com Scolari, o Grêmio sofreu 12 gols em 24 partidas.

Surpreendeu muita gente, inclusive a esse que vos escreve. O trabalho de Felipão no Grêmio em 2014 foi louvável, não somente pelos números, mas pelas circunstâncias em geral. Principalmente pelo peso que teve de carregar pelo resto daquele ano -- e que terá de carregar pelo resto da vida.

Em 2015 fica realmente difícil cobrar algo. Sem Riveros, Zé Roberto, Dudu, Barcos e outros, o elenco se desfigurou. O próprio Werley que foi por empréstimo para o Santos e Fernandinho, atualmente no Verona, fazem tremenda falta num plantel que carece de opções. O último deve voltar, mas é pouco.

O Grêmio mudou de planejamento, encurtou consideravelmente seu orçamento e o futuro é repleto de desconfianças.

Do céu ao inferno em 15 minutos

O Figueirense ia vencendo o Botafogo por 2 a 0. Resultado excelente, vantagem considerável para o jogo de volta no Rio de Janeiro, que ainda não tem data marcada. Mas tudo mudou rapidamente.

O que era ótimo para o Figueira acabou se tornando péssimo. O Bota fez um aos 32 do segundo tempo com Diego Giaretta e empatou aos 48. Carleto cobrou falta, Alex Santana soltou e Luis Ricardo completou: 2 a 2.

Dois gols sofridos dentro de casa na Copa do Brasil é de se lamentar. Agora, o time de Argel precisa vencer na casa do rival para avançar ou empatar por mais de dois gols. Difícil.

Mas o retrospecto é favorável: Em oito confrontos entre as equipes no Rio de Janeiro, o Figueirense venceu cinco e perdeu somente três. A última derrota foi em 2013.

domingo, 17 de maio de 2015

Valências e deficiências

Escrevi em março que um dos trunfos do Vasco de Doriva era ter consistência defensiva e não sofrer da vulnerabilidade  de sua defesa, problema que assombrou São Januário nos últimos anos de Série A, principalmente em 2013, pior defesa entre as equipes rebaixadas -- 61 gols sofridos em 38 rodadas.

O Vasco da Gama sofreu dois gols nos últimos cinco jogos e tem a maior invencibilidade entre os clubes da primeira divisão -- são nove partidas sem perder.

Mas precisa ser mais efetivo quando ataca.

A equipe do técnico Doriva  empatou na manhã deste domingo com o Figueirense, em Florianópolis. Novamente não sofreu gols, mas também sem eficiência ofensiva, como na primeira rodada. Zero a zero, o terceiro em 2015.

Até teve oportunidades no primeiro tempo. Foi superior, principalmente nos minutos finais. Mas parou no goleiro Alex Santana, melhor em campo nos primeiros 45 minutos.
Na etapa complementar o rival se acertou e tomou conta do jogo. O Vasco caiu de maneira drástica na parte física e por pouco não perdeu.

Apesar das deficiências, existem virtudes na equipe campeã carioca. Doriva levou o burocrático Ituano ao título Paulista em 2014, fez o mesmo com o Vasco em 2015. Agora o formato do campeonato é outro, mais complicado, evidentemente. Mas sofrer poucos gols é imprescindível.

Mais forte

A derrocada dos brasileiros nas oitavas da Libertadores apimenta o início de Brasileiro. Atlético Mineiro, Corinthians e São Paulo concentram suas forças exclusivamente  no campeonato nacional. Só o tempo dirá quem brigará por título, Libertadores ou rebaixamento.

Seguir na competição internacional não significa fracassar no campeonato do país. Mas a dificuldade de conciliar duas competições de alto nível ao mesmo tempo prejudica. É o caso de Cruzeiro e Inter.

O último brasileiro campeão da libertadores que brigou por título foi o Inter em 2006. O São Paulo foi 11º em 2005, o prórpio Internacional em 2010 ficou em sétimo, o Santos foi décimo colocado em 2011, o Corinthians de Tite foi sexto colocado no ano seguinte, e o Atlético, último vencedor, terminou na oitava posição em 2013.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Enderson estava longe de ser o grande problema do Atlético

O treinador fi cou no Atlético por pouco mais de um  mês. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
foto: Gazeta do Povo

Mês passado o  Atlético Paranaense anunciou Enderson Moreira como seu novo técnico, após a demissão de Claudinei Oliveira. Era 16 de março e o Atlético já amargava a nona colocação.

O treinador assumiu dia 16 e estreou sob o comando rubro negro 22 de março, na Arena da Baixada. Vitória convincente, mas diante de um adversário frágil. 7 a 0 no Nacional, que fez somente quatro pontos nos 33 disputados na primeira fase.

Poderia ser um indício de que as coisas iriam melhorar. Não foi. Na rodada seguinte, derrota para o Londrina e eliminação precoce em um campeonato onde oito equipes se classificavam -- foi a pior campanha do Atlético nos últimos trinta e cinco anos.

Enderson também dirigiu a equipe na primeira fase da Copa do Brasil. Dois empates por 1 a 1 com o Remo e classificação dramática nas penalidades. Saiu classificado, mas vaiado -- o Remo jogou com o time reserva na segunda partida.

O ex. treinador não mudaria em algumas semanas o Atlético da água para o vinho. Foi direto em sua primeira coletiva: "Não sou mágico". Parecia já conhecer o desafio e as dificuldades que encontraria.

O Atlético perdeu seu principal jogador e não recompôs, falhou no planejamento inicial ao desistir do time sub 23 durante a competição e mostrou total falta de convicção ao demitir Enderson Moreira depois de apenas 35 dias.

O camisa dez do time é Felipe, reserva e terceira opção de Argel no Figueirense em 2014. Enderson não é mágico.

A equipe da baixada resolverá grande parte de seus problemas reforçando seu elenco, acrescentando qualidade, moderando nas apostas e seguindo com convicção uma filosofia. Receita aparentemente fácil num clube estável financeiramente.

Mário Celso Petraglia prometeu que 2015 seria o ano do futebol. O torcedor que não comemora um título desde 2009 não esqueceu.