Não precisava. Emerson Sheik foi infeliz na declaração que fez a respeito do zagueiro Lúcio, do Palmeiras. Na saída dos jogadores para o intervalo, o atacante botafoguense declarou que o ex. capitão da seleção brasileira teria lhe chamado de gay. E como não poderia ser diferente, gerou polêmica. Em minutos o caso já havia dado repercussão nacional.
Na segunda etapa a equipe de Vágner Mancini voltou mais ligada e tratou de fazer o básico para vencer o Palmeiras. Contando com boa atuação do goleiro Renan, substituto de Jefferson, que serve a Seleção Brasileira, em Teresópolis, o time da estrela solitária buscou três pontos importantes e deu mais um passo para seguir firme em sua caminhada que promete ser complicada ao restante do ano. Bolatti e Zeballos marcaram os gols do alvinegro.
No fim do jogo coube aos jornalistas botarem lenha na fogueira. Lúcio, ao ser questionado, negou ter feito a ofensa. E se defendeu, afirmando que tudo que conquistou em sua vida e o sucesso que obteve na carreira não foram atoa. E ainda citou o polêmico caso de contrabando de automóveis que o atacante havia se envolvido em um passado recente, provocando o rival.
Em seguida, Sheik devolveu na mesma moeda, dizendo que o zagueiro "não é homem o suficiente para assumir". E ficou por isso.
Não há nada mais normal dentro de campo do que a provocação entre os atletas. O jogo "psicológico" é tão comum quanto o físico e o tático. De fato, não havia necessidade de Emerson polemizar. Ou ele nunca provocou, nem xingou algum de seus adversários dentro das quatro linhas? Tem ele o comportamento exemplar que exige de seus adversários?
Se a atitude do jogador fosse um tanto mais profissional e o atacante não misturasse o "dentro de campo" com a vida pessoal de outras pessoas, talvez pudéssemos estar agora falando apenas do jogo e da vitória do clube carioca.
Há problemas que podem ser evitados, mas Sheik optou pela polêmica. E a vitória do Botafogo ficou para segundo plano.