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sexta-feira, 21 de julho de 2017

ABRACADABRA

Dos onze titulares do Figueirense que enfrentaram o CRB terça-feira (11), somente três começaram o ano no Estádio Orlando Scarpelli. Marquinhos, Leandro Almeida e Weldinho. Os outros, todos chegaram após o Campeonato Catarinense, no início ou durante a Série B.

Os fracassos recentes dos times de Marquinhos Santos, Márcio Goiano e agora Marcelo Cabo levam ao questionamento inevitável: como um time que recebeu tantos reforços não engrena?

Após empatar com o Oeste, terça (18), em Florianópolis, o clube anunciou mais dois atletas. Somando todas as contratações feitas após o estadual, o número de reforços chega aos 19. É muita coisa.

Há quem acredite que ainda seja necessário reforçar o grupo. Um meia, um zagueiro, outro atacante...

O problema do Figueirense passa longe de reforços ou contratações pontuais.

Em fevereiro, a estreia no estadual foi com Luis Carlos, Dudu, Dirceu, Bruno Alves e Henrique Trevisan; Juliano, Ferrugem, Matheusinho; Éverton, Anderson Aquino e Bill.

Dos onze, cinco deixaram o clube, Ferrugem treina em separado, quatro são reservas e somente Bruno Alves enfrentou o Oeste na última terça (18).

Há um mês na zona de rebaixamento e amargando sua pior campanha na divisão, o Figueirense que enfrenta o América esta noite é o reflexo puro de uma administração confusa e um futebol pouquíssimo convicto.

Com 8 pontos de diferença para o CRB, quarto colocado, seriam necessárias três rodadas perfeitas para deixar a zona de rebaixamento e entrar na disputa pelo acesso. O aproveitamento, hoje em 36%, teria que chegar aos 54%, número distante do rendimento atual.

Apesar do presente confirmar a tese, o retrospecto dos catarinense nas últimas edições da Série B mostram casos contraditórios, como o próprio Figueirense em 2013, com sete pontos de diferença para o quarto colocado, restando apenas seis rodadas pro fim do campeonato.

Foram quatro vitórias e dois empates, incríveis 77% de aproveitamento que confirmaram o acesso na última rodada, em Bragança Paulista.

O Criciúma, classificado em 2012, teve início de ano semelhante ao Figueirense de 17. Eliminado na primeira do estadual, recebeu boa parte do elenco no início da competição. Nomes como França, Giovanni Augusto, Kléber, Ozéia, todos titulares e que chegaram antes ou durante a Série B.

A diferença, no entanto, está na pontuação dos times. Nesta mesma rodada, em 2012, o Criciúma de Paulo Comelli liderava a Série B com 35 pontos, o dobro do que soma neste momento a equipe de Marcelo Cabo.

Lembre-se também do Avaí de 2016, 16º colocado na vigésima rodada e vice campeão da Série B em dezembro, com apenas uma derrota nos últimos 18 jogos. Na partida do acesso, em Londrina, metade dos titulares haviam chegado ao clube após o estadual: Alemão, Betão, Fábio Sanchez, Capa e Luan – Marquinhos retornou de lesão apenas em agosto.

Na contramão, o Joinville de 2014 e a Chapecoense de 2013 provaram sucesso por caminhos opostos. Com Hemerson Maria contratado desde o fim de 2013, o Joinville fez ótimo Campeonato Catarinense, manteve sua base para o nacional e sagrou-se campeão da Série B em 2014.

A Chapecoense, com Gilmar Dal Pozzo desde setembro de 2012, subiu em 2013 com um grupo modesto, mas numa filosofia de trabalho que levou o clube da quarta à primeira divisão em cinco anos.

Em Brasileiro de pontos corridos, o Figueirense só teve campanha pior nesta mesma rodada em dois anos: 2012, com oito pontos, e 2014, com quatorze. Em 2015 e 2016, na Série A, somava o mesmo número de pontos da campanha atual.

Na história da Série B, nunca um time que conquistou o acesso esteve na zona de rebaixamento nesta rodada. O Figueirense pode ser o primeiro a contrariar a lógica.

Mas é preciso planejar, confiar, dar tempo. Marcelo Cabo foi campeão com o Atlético GO ano passado. Com sete rodadas, já somava 16 pontos. O Figueirense precisou de quinze.

Com três técnicos e mais de quarenta atletas no elenco, é difícil. Não se forma time assim. É preciso brigar com a cultura.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Vitória da paz

Marquinhos Santos venceu a quarta partida sob o comando do Figueirense desde que chegou a Florianópolis, em setembro, com a missão de salvar o clube do rebaixamento. São 18 jogos, além das quatro vitórias, quatro empates e dez derrotas. Aproveitamento de 29%.

Qualquer resultado que não fosse vitória na noite do último domingo, na capital, certamente encerraria a trajetória de Marquinhos a frente da equipe catarinense. Após a derrota sofrida na última quinta-feita, em Itajaí, a situação se tornou quase insustentável.

No suspiro final, Marquinhos ganhou sobrevida com a goleada diante do Criciúma, principalmente após o bom segundo tempo apresentado por seus comandados.
Figueira cresceu no segundo tempo com a entrada de A. Aquino

A manutenção do treinador após a temporada passada contraria o senso comum. Treinador rebaixado, desempenho fraco, números negativos...

Apostar no trabalho, respaldar o treinador e acreditar na continuidade com Marquinhos Santos no comando exige paciência. É difícil começar  do zero com o peso de um rebaixamento nas costas.

O Figueirense contratou doze jogadores para a temporada. Mais da metade (8) já havia trabalhado com o técnico em algum momento da carreira. Dirceu, Leandro Almeida, Hélder, Anderson Aquino, Zé Love e Bill, no Coritiba; Juliano e Éverton, em 2016, no Fortaleza.

Todos indicados ou aprovados por Marquinhos e Léo Franco, superintende de esportes, contratado junto ao Fortaleza no fim do ano, também indicação do atual treinador alvinegro, segundo informações do jornalista Rodrigo Faraco.

O projeto Figueirense 2017 passa por Marquinhos Santos e a certeza de que não se forma time de uma hora pra outra está cada vez mais clara.

É preciso tempo, tranquilidade, confiança. Está só começando.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Fé em Dios...

O River é apenas oitavo colocado em seu grupo no Campeonato Argentino. Em seis partidas, venceu apenas duas. Na última, empate sem gols com o Boca, no Monumental. 

A equipe campeã da América em 2015 não existe mais. Gallardo perdeu peças fundamentais como Funes Mori, Sánchez, Kranevitter e Teo Gutiérrez. E ainda que exista uma espinha do time campeão, com Barovero, Maidana, Ponzio e Alario, é evidente a inferioridade em relação ao grupo do último ano.

A missão do São Paulo na próxima quinta é complicada. Seria dureza também para Grêmio, Corinthians, Palmeiras... Ninguém tem vida fácil por lá. 

Mas há dois pontos fundamentais que agravam a situação: O primeiro, a classificação do grupo; o segundo, o que apresenta o São Paulo em 2016.

Se o River vencer o confronto chegará a seis pontos, dividindo a liderança do grupo com o The Strongest, ambos com seis. São Paulo e Trujillanos com zero. Neste caso, nem Dios Lugano salvaria a equipe de Bauza...

A partida será mais difícil pelo que apresenta o São Paulo em 2016 do que propriamente o rival. 

Na história, Edgardo Bauza enfrentou o River Plate 19 vezes como treinador. Venceu apenas uma, em 1999, quando comandava o Rosário Central. Nos últimos seis encontros, foram seis derrotas. É impressionante! 
 

ABRACADABRA

O Cruzeiro contratou 19 jogadores e o técnico Marcelo Oliveira ao final da temporada 2012. Foi bicampeão brasileiro com sobras em 2013 e 14, jogando o futebol mais vistoso do país durante este período. 

Não há mágica!

Vinícius Eutrópio recebeu Elicarlos, Dodô, Bady e Rafael Moura  na última semana. Se reforçar durante o campeonato não é o problema, o pecado pode ser começar a planejar o ano apenas em março.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O mais confiável

O Atlético passou a impressão de que venceria com tranquilidade e que a vitória diante do Independiente del Valle seria construída ao natural após um início surpreendente no horto.

Não foi.

O Atlético ainda não está na sua plenitude física e por isso oscila. Ficou claro na noite de ontem, principalmente após os primeiros vinte minutos, quando o del Valle igualou a partida, e no fim do segundo tempo, momento em que os equatorianos se aproximaram do empate.

Não é uma crítica a preparação física. Pelo contrário. O ápice do condicionamento dos atletas deve acontecer na fase final da competição. É planejamento!

O volume de jogo da equipe de Aguirre na metade da primeira etapa gera expectativa. Entre os rivais brasileiros que disputam a Libertadores, apenas o Palmeiras se reforçou tão bem quanto o Galo. A diferença fundamental é que em Belo Horizonte há uma equipe pronta. No Palmeiras, uma em formação.

O destaque atleticano na noite de ontem foi o recém contratado Juan Cazares. O meia que atuava no Banfield – mas pertencia justamente ao Independiente del Valle – formou trio com Luan e Patric. Em relação ao time de 2015, somente ele e seu compatriota, o zagueiro Erazo, foram titulares que não estavam no elenco na temporada passada.

O Atlético está forte e a tendência é seguir crescendo.

O fato novo

A última vitória do Figueirense sobre o Avaí na Ressacada foi justamente sob o comando de Vinícius Eutrópio. Em 2013, goleada histórica  por 4 a 0 na casa do rival.

Três anos depois, Vinícius está de volta como treinador e assume o alvinegro justamente no clássico 413 de Florianópolis.

O último técnico que assumiu o comando de um dos clubes da capital num clássico foi exatamente o atual treinador do Avaí. Em 2014, como interino, Raul Cabral venceu no Orlando Scarpelli por 2 a 1, gols de Antônio Carlos e Paulo Sérgio.

domingo, 18 de outubro de 2015

O horário muda. Mas a freguesia...

Gílson Kleina armou o Avaí com três volantes e deixou Marquinhos solitário entre Andrei Girotto e Thiago Santos. Apostou em dois atacantes fixos, buscando explorar a fragilidade da dupla de zaga reserva do Palmeiras. O Avaí foi pessimamente escalado e fez sua pior partida no campeonato.

Perdeu.

O Palmeiras tinha mais gente e muito mais mobilidade com Gabriel Jesus, Allione e Mouche na faixa central. Foi fácil marcar um adversário previsível, que abusou da bola longa durante os noventa minutos. 3 a 1 foi justo em Florianópolis.

Foi a décima primeira vitória do Palmeiras diante do Avaí. Onze! Em quatorze jogos, apenas uma derrota. Entre os adversário da Série A, só o Joinville é tão freguês quanto -- nunca venceu o rival paulista.

A vitória recoloca a equipe comandada por Marcelo Oliveira no G4, pelo menos provisoriamente. Pra se manter no grupo dos quatro primeiros, precisa contar com os tropeços de Santos e São Paulo, que enfrentam Goiás e Vasco, neste domingo.

...Continua

Não apenas porque o Figueirense não vence em Joinville desde 2008. A derrota desta noite foi a de número 72. O Figueira venceu  vinte a menos.

Em 2015, foram sete confrontos. O Joinville venceu quatro e perdeu somente um. É surpreendente.

A vitória encurta a distância do JEC para o primeiro time fora da zona de rebaixamento. São três pontos para o Avaí, 16º colocado.

A missão segue complicada e improvável. Mas já foi mais difícil de acreditar no Joinville. Nas últimas duas rodadas, somou mais pontos do que todos os seus adversários juntos. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

75%

O Santos confirmou seu favoritismo diante do Figueirense e avançou às semifinais da Copa do Brasil. Foram necessários vinte e cinco minutos para Gabriel abrir o placar e servir Marquinhos Gabriel, em belo cruzamento, no segundo gol. O Figueira descontou com o bom zagueiro Bruno Alves, também na primeira etapa.

No início do segundo tempo, Neto Berola marcou de cabeça. O atacante, que pertence ao Atlético Mineiro, havia acabado de entrar. Foi o segundo gol dele com a camisa do Santos. O Figueirense fez mais um com Carlos Alberto. 

É incrível a força da equipe comandada por Dorival Júnior como mandante. Foram 13 jogos em casa desde que o novo treinador chegou e treze vitórias. Apenas uma longe da Vila Belmiro. Justamente a desta noite, pelo torneio nacional. 29.468 pessoas estiveram no Pacaembu.

O Santos chega a sua quinta semifinal de Copa do Brasil. Pela primeira vez está entre os quatro melhores por dois anos seguidos, já que foi eliminado pelo Cruzeiro, em 2014, nesta mesma fase. Na única vez em que chegou à final, desbancou o Vitória na decisão. O Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso era comandado por...Dorival.

Com a classificação, a equipe junta-se a Palmeiras, São Paulo e Fluminense, que garantiram classificação na quarta-feira. Pela primeira vez na história, três paulistas estão entre os quatro semifinalistas do torneio.

É verdade que antes de 2013, com o antigo regulamento, onde as equipes da Libertadores não jogavam a Copa do Brasil, era mais improvável a presença de três equipes de São Paulo entre os semifinalistas.

Com exceção a 2014, ano em que nenhum grande do estado jogou a Libertadores, nos últimos dez anos pelo menos dois deles estiveram na competição continental. É muita coisa.

Palmeiras e Fluminense e o clássico San-São ocorre nos dias 21 e 28 de outubro.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Vencer, vencer, vencer. O ideal do Galo, mais do que nunca

Apontar um favorito para o confronto desta noite, entre Figueirense e Atlético Mineiro, no Orlando Scarpelli, é um equívoco. É verdade que o zero a zero classifica o time da casa, mas desprezar a força dos comandados  de Levir é uma temeridade.

Nas últimas dez partidas em que Atlético foi visitante, só não marcou gols em três. Muito por conta da postura da equipe. O Galo é ofensivo no Horto, assim como é no Mineirão e  também longe de Belo Horizonte. E será, mais do que nunca, em Florianópolis.

Porque se o Galo não marcar, olê olê ola...

O rival  também é forte. Em seus domínios, principalmente. No entanto, longe de Florianópolis mantém-se consistente. Provou nas duas últimas vezes que foi ao Estádio Independência, perdendo pelo Brasileirão por 1 a 0 e empatando na última semana por 1 a 1. Na primeira partida, Pratto marcou de pênalti. Na segunda, Leonardo Silva fez aos 49 do segundo.

Ainda assim, é indiscutível a diferença técnica entre as equipes. Para o confronto desta noite, René Simões não terá a dupla de zaga titular, além do volante Paulo Roberto e do atacante Dudu, baixa de última hora.

Do outro lado, a ausência de Thiago Ribeiro é reparável. Patric têm características adequadas à função e, dentro do elenco, é quem melhor se encaixa para substituir o ex. atacante do Santos.

Em 2015, o Figueirense só perdeu duas vezes em sua casa. Vem motivado após a boa vitória diante do Sport, no sábado. Para o Atlético, foi fundamental voltar a vencer e recuperar a confiança, que se abalou após quatro partidas sem vitórias.

Apontar um favorito para esta noite é um erro. Esperar jogo ruim, também.

domingo, 23 de agosto de 2015

Essência

Havia dúvidas sobre como o grupo do Figueirense iria reagir à troca de treinador. Argel estava a mais de um ano no comando do alvinegro, mas aceitou a proposta do Inter e foi treinar a equipe que defendeu como jogador na década de 90. 

Ainda é cedo pra dizer se a resposta do grupo foi positiva e se René Simões um acerto. Sem Argel, foram três partidas. Derrota para o Fluminense no Rio, empate com o Atlético em BH e vitória diante do Sport, em Florianópolis. Por mais que o aproveitamento não tenha sido brilhante, o Figueirense manteve seu nível de desempenho. Principalmente no primeiro tempo da partida contra o Fluminense e no confronto contra o Atlético, pela Copa do Brasil.

Começar bem dá tranquilidade e passa confiança ao torcedor. O estilo de René permite que o time evolua em alguns pontos que demonstrava dificuldades. 

Mas é importante manter o alto nível de competitividade, trunfo da equipe de Argel. Seguir com consistência defensiva e jogar com intensidade. É fundamental manter a essência.

O caminho para o sucesso  do novo treinador passa por isso. Não dá pra comparar os estilos, embora René e Argel sejam de escolas diferentes e tenham filosofia de trabalho distintas, ambos se assemelham na forma de lidar com os atletas.

É preciso seguir na mesma linha de trabalho. 

O caso de Doriva na Ponte Preta é semelhante. A equipe de campinas começou bem o campeonato, chegou a liderança da competição, mas perdeu fôlego. Trocou de técnico após ficar sete rodadas sem vencer na Série A.

A vinda de Doriva mudou o panorama e a equipe recuperou a confiança. Voltou a jogar bem e da mesma forma que jogava sob o comando de Guto Ferreira.  A Ponte Preta é insinuante como era no início do campeonato e não perde há quatro partidas.

René Simões sabe o caminho. A missão é manter o nível técnico de um time já formado, mas evoluir é sempre importante. Começou bem.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pés pelas mãos

O julgamento do caso André Krobel caminhava de forma tranquila para o seu fim na OAB, em Belo Horizonte. Até que os auditores resolveram decidir o campeão catarinense, depois de julgarem o único ponto em questão no imbróglio: se a punição aplicada ao Joinville pelo TJD/SC  seria mantida ou não. Houve a manutenção de pena já esperada.

Mas os auditores foram além e mudaram o enfoque do julgamento. Ou melhor, acrescentaram na pauta outro ponto. E decidiram julgar os efeitos e reflexos da primeira decisão, apontando o Figueirense campeão. 

Ora, se o clube que foi primeiro colocado no hexagonal tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais e fazer a segunda partida em casa, o regulamento deveria ser seguido estritamente. E não pela metade, como fizeram os auditores.

No caso André Krobel, há precedências tanto a favor de Joinville quanto a favor de Figueirense. O que é injustificável é aplicar somente 50% da regra. Se o primeiro colocado foi apontado como campeão por obter dois empates nas duas partidas finais, ele deveria obrigatoriamente fazer o segundo jogo em seus domínios, como aponta claramente o regulamento.

Se o atleta relacionado de maneira irregular interferiu na partida é outra questão. Mas óbvio que a postura do Joinville nas finais seria outra se soubesse que os resultados iguais favoreciam seu adversário. 

Os auditores do TJD/SC, no julgamento em primeira instância, afirmaram mais de uma vez que a decisão do tribunal se limitava à perda de pontos. Os reflexos da decisão cabiam ao órgão que administra o campeonato, a Federação Catarinense de Futebol. 

É importante lembrar que o Joinville ganhou pontos no tribunal nos últimos três anos em que conseguiu acessos: 2010, na quarta divisão, 2011, na terceira, e ano passado, na Série B. Mas não justifica a decisão precipitada de ontem.

A FCF se omitiu e permitiu que o STJD se equivocasse, julgando além do que deveria. A irregularidade foi descoberta antes das partidas finais serem realizadas, ou seja, poderiam --e deveriam-- ser adiadas, até que houvesse uma decisão sobre quem teria as vantagens e o direito de fazer a segunda partida em casa. 

Mas o presidente da entidade, Delfim de Pádua Peixoto, amigo fiel de José Maria Marin, acusado e preso pelo FBI por corrupção, bancou a realização dos jogos por interesses comerciais...

Hoje, apenas o estado de São Paulo têm mais representantes na Séria A do que Santa Catarina. É uma pena que seja tão mal representado. Há mais de 30 anos...

Risco

Não restam dúvidas de que a parada da Libertadores por conta da Copa América foi um mau negócio para o Inter. A volta, contra o Tigres, pelo primeiro jogo da semifinal, preocupava. Pelo momento de instabilidade vivido no Campeonato Brasileiro.

Apesar do bom início, o Inter sentiu. O Tigres se encontrou após sofrer os dois gols no começo da partida e teve o controle na maior parte do jogo. Muito por conta da questão física. O ritmo da equipe não é o mesmo. 

No mata-mata desta edição da Libertadores, cinco times marcaram gols fora de casa na primeira partida. Só um não avançou à fase seguinte: O Cruzeiro, diante do River. O Tigres é o sexto. 

sábado, 11 de julho de 2015

Recomeço

Após a demissão de Enderson Moreira pelo Santos, em março, três nomes surgiram na Vila Belmiro para repôr a saída do treinador: Vagner Mancini, Dorival Júnior e Argel Fucks. Enquanto a diretoria não chegava num consenso, o interino Marcelo Fernandes tomou as rédeas no trabalho. Os resultados vieram e ele foi mantido. Terminou campeão paulista.

Naquela ocasião, ao ser cogitado o nome de Dorival no comando santista, fiz um comentário de que o ex. treinador do Palmeiras precisava mais do Santos do que o clube precisava de seu trabalho. Até porque a causa da demissão de Enderson não foram maus resultados. O motivo foi o péssimo relacionamento com alguns garotos do elenco.

Dorival precisava de uma oportunidade para alavancar novamente sua carreira. Não aconteceu naquele momento.

Agora a situação é outra. O Santos precisa urgentemente que um fato novo se estabeleça e mude o rumo da equipe, que caminha a passos largos para o seu primeiro rebaixamento. Marcelo Fernandes não conseguia extrair mais nada de um grupo jovem, que evidencia a cada rodada sua fragilidade em assimilar a crise sob pressão.

Os três últimos trabalhos de Dorival foram terríveis. Na reta final do Brasileirão de 2013 deixou o Vasco na zona de rebaixamento. Em seguida assumiu o Fluminense e só não foi rebaixado porque a Portuguesa escalou Héverton de forma irregular diante do Grêmio...

Seu último trabalho foi no Palmeiras, no fim de 2014. Escapou da queda por muito pouco, graças ao Santos, que venceu o Vitória em Salvador na última rodada.

Dorival perdeu o prestígio, definitivamente. Hoje, às 18:30, na Vila, reestreia no comando do Santos diante do Figueirense, clube em que conquistou seu primeiro título como treinador. O tri campeonato daquele ano fez com que o Figueira igualasse o Avaí em número de conquistas estaduais: 13.

Cinco anos depois Santos e Dorival Júnior voltam a se encontrar. Se o casamento terá final feliz outra vez, só o tempo dirá. Mas agora, mais do que nunca, eles precisam um do outro.

OBS: A coluna de domingo (12) foi antecipada para sábado (11) por motivos pessoais.

domingo, 5 de julho de 2015

Retrospecto e momento ajudam, mas Fla precisa se ajudar

O Flamengo que venceu em Joinville na última quarta-feira foi outro. Diferente daquele que perdeu o clássico para o Vasco em Cuiabá e que tropeçou em casa no Atlético Mineiro. Houve evolução.

É normal que aconteçam oscilações em uma equipe em construção. Cristóvão têm sete jogos sob o comando rubro-negro: quatro derrotas, três vitórias. Mas a última partida em Santa Catarina foi diferente das outras. 

O Flamengo jogou de forma inteligente. Com lucides, soube explorar as limitações do Joinville de Adílson que se assemelha em uma característica com a equipe de Cristóvão: se atrapalha quando precisa propôr o jogo.

O garoto Jorge deu outra dinâmica pelo lado esquerdo, assim como  Ayrton na direita. O time demonstrou maturidade, venceu finalizando mais (8x11) e abrindo mão da posse de bola (62x38). Foi objetivo e venceu. A estratégia foi bem sucedida e não há como tirar os méritos, ainda que a forma em que a equipe busca o resultado não empolgue o torcedor.

Quando precisou ditar o ritmo da partida o Flamengo se complicou. Só venceu uma partida em casa, no dia seis de junho, contra a Chapecoense. O gol marcado por Gabriel saiu num lance inusitado e no momento em que o adversário já tinha um jogador a menos...

A vitória na Arena Joinville trouxe tranquilidade para seguir o trabalho. Ainda é pouco, evidentemente. Mas a evolução demonstrada permite o torcedor sonhar com algo a mais. 

Hoje, no Maracanã, o Flamengo defende uma invencibilidade de oito anos diante do Figueirense. A última derrota foi em 2007. De lá pra cá foram nove jogos, seis vitórias e três empates.

Coroou

A vitória do Chile na disputa por pênaltis ontem, em Santiago, coroou o grande trabalho de Sampaoli no comando de La Roja e foi o prêmio à melhor geração da história do país. O Chile foi melhor durante toda a partida. Mereceu.

Pouco mais de um ano atrás foi castigado no Brasil. Dominou a Seleção Brasileira nas oitavas de final, teve a bola de Pinilla na trave no último lance da prorrogação...e perdeu nos pênaltis. 

Mas 2015 a história foi outra. Os comandados de Sampaoli marcam para sempre seus nomes na história do futebol do país. A equipe envolvente, de marcação avançada e que encheu de orgulho um povo apaixonado por futebol que carecia de uma conquista. E ela veio.

domingo, 28 de junho de 2015

Quem não tem cão...

O torcedor do Corinthians esperava um time presente no campo de ataque e abafando o Figueirense em sua saída de bola. Com o anúncio da escalação -- apenas Bruno Henrique como marcador no setor de meio --, o público presente em Itaquera alimentou uma expectativa de marcação avançada da equipe, jogando sob pressão.

O esquema com apenas um volante já era sabido por todos. Tite treinou durante toda a semana e deixou claro que jogaria desta maneira. Não houve mistério, é verdade. Justamente por isso se esperava uma equipe mais insinuante do que o normal, devido ao alto número de jogadores com características ofensivas (cinco).

Mas Tite sabia que seria arriscado avançar para marcar. Bruno Henrique ficaria sobrecarregado na contenção de uma linha com quatro meia ofensivos, sem características de marcação. Ainda mais com Uendel e Edílson nas laterais. Por mais que sejam bons apoiadores, deixam a desejar na defesa.


Sem a bola, Corinthians se retraia para proteger Bruno Henrique

Por isso a postura foi de cautela quando o Figueirense tinha a posse. Não havia pressão nos zagueiros e laterais. A linha formada por Luciano, Jadson, Renato Augusto e Malcom se posicionava na faixa central quando não tinha a bola e deixava o adversário sair tocando.

Há quem questione a atuação, justificando que o grande futebol apresentado no início do ano tinha somente um volante de contenção. De fato, era Ralf. Mas tinha Elias na segunda linha ao lado de Renato Augusto. O volante da Seleção Brasileira dá outra consistência à equipe.

Elias permite também que a equipe de Tite seja mais agressiva. A capacidade de infiltração do volante é fundamental no esquema. Sábado, sem este jogador, o Corinthians sofreu para entrar na área do adversário pelo meio.

O gol saiu em bela triangulação  pelo lado esquerdo. Renato Augusto viu bem Uendel, que serviu Vagner Love praticamente dentro do gol de Alex, que nada pode fazer. Depois o atacante sofreu pênalti, convertido  por Jadson. O Figueira descontou com Thiago Santana, em bonito passe do garoto Clayton. E ficou nisso.

O Corinthians vai retomando a confiança e vencendo. Com todos os problemas internos e o desmanche de praticamente meio time, a quinta colocação é ótima e surpreende.

Com a precaução necessária o Corinthians venceu. Mas não convenceu.

A melhor escolha

O Grêmio encontrou seu treinador. A diferença do nível técnico e tático entre o time de Felipão e Roger Machado é discrepante.

Emplacou três vitórias seguidas e venceu a primeira partida longe de Porto Alegre. E jogando bem, sempre ao ataque.

Se o saldo nesta altura do campeonato é positivo ao Corinthians, para o Grêmio é ainda mais. Quando foi à Curitiba na segunda rodada e perdeu, a equipe deu sinais de que o ano tinha tudo para ser terrível. Felipão caiu.

Roger tem tudo para dar certo. O trabalho está vingando e o horizonte  de 2015 repleto de incertezas começa a clarear.

domingo, 1 de junho de 2014

Chape vence mais uma e vai passar a Copa fora do Z4. Fla faz o de sempre, perde para o Cruzeiro em Uberlândia e pode terminar na lanterna

Aos poucos a Chapecoense vai somando seus pontos e superando as expectativas. Com um começo fraco de campeonato, a equipe do oeste de Santa Catarina só encontrou o caminho da vitória na sétima rodada, quando bateu o Palmeiras, em seus domínios, por 2 a 0. Até então a equipe só havia conquistado dois pontos em dezoito disputados.

Hoje, de volta a Arena Condá, em Chapecó, o time comandado pelo técnico interino Celso Rodrigues venceu a segunda e deixou a zona de rebaixamento. Contando com os tropeços de Vitória e Flamengo, a equipe do oeste saltou para a 16ª posição e passará a Copa do Mundo fora do Z4.

Abuda e Alemão marcaram para os donos da casa. No fim, o zagueiro Demerson, do Bahia, descontou para os visitantes. A equipe comandada pelo técnico Marquinhos Santos foi derrotada pela terceira vez seguida neste campeonato e, com o revés, perdeu uma posição, ocupando agora o 15º lugar.

O Flamengo foi à Uberlândia, no Parque do Sabiá, enfrentar o Cruzeiro. O resultado do jogo apenas reflete a situação dos dois times. Os comandados de Marcelo Oliveira não tiveram trabalho para aplicar 3 a 0 apenas no primeiro tempo e liquidar a fatura ainda na primeira metade.

No segunda etapa, Ney Franco conseguiu um empate por zero a zero, evitando um vexame que poderia ser ainda maior. Talvez pelo fato do Cruzeiro desacelerar o jogo, diminuir seu ímpeto ofensivo e contentar-se com os sonoros três a zero. O resultado foi suficiente para manter o atual campeão brasileiro na primeira colocação e ratificar o péssimo momento vivido pelo clube da gávea.

Figueirense e Atlético Paranaense estão jogando agora, em Florianópolis. Caso o alvinegro vença a partida, chega aos mesmos sete pontos do Flamengo e ultrapassa a equipe carioca pelo número de vitórias. E com isso os comandados de Ney Franco terão de amargar a lanterna durante toda a Copa do Mundo. Que fase!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Vitória quarta no Itaquerão não pode tapar limitações e carências no Corinthians

Vencer a primeira em casa, inaugurar o novo estádio com resultado positivo e atuação convincente para então esquecer o pesadelo vivido no domingo. Esse é o atual querer do torcedor corinthiano, que anda pouco empolgado e com certo receio sobre o time.

Não foi a zebra, a derrota ou a perda de três pontos importantíssimos diante de um adversário frágil. Claro que o prejuízo  na tabela poderia ter sido evitado com uma vitória, mas o que preocupou mesmo foi a atuação dos (definitivamente)donos da casa frente ao até então lanterna do Brasileirão e que somava até aquele momento zero pontos.

Alguns insistem em não enxergar, outros hesitam ao falar da postura da equipe, mas de fato a produtividade ofensiva do time comandado por Mano Menezes no primeiro jogo da Arena Corinthians foi fraca, principalmente na primeira etapa. E foi como vem sendo na maioria dos jogos do clube.

O problema é crônico. Desde a era Tite o time do Parque São Jorge sofre com seu carente ataque. Mas isso não é novidade pra ninguém.

Em entrevista à Folha de SP, na última sexta, o atual treinador do alvinegro paulista disse que precisa ainda de mais três reforços para poder trabalhar da maneira esperada e brigar por títulos. Necessário. Se quiser apagar o seu último trabalho e a má impressão que deixou quando fracassou definitivamente na Gávea, ao "abandonar o barco" no Flamengo, Mano terá de trabalhar. E muito.

Mesmo que a sorte esteja ao lado do Corinthians nesta quarta  e o Timão vença o Atlético PR, as limitações alvinegras não podem ser esquecidas. Como bem disse o ex. técnico da Seleção Brasileira, a diretoria do clube terá de "viabilizar reforços".

Vejo mais do que necessário, principalmente se tratando de um elenco envelhecido que clama por renovação.

domingo, 20 de abril de 2014

Cristóvão e Flu iniciam com vitória. Combinação tem tudo pra dar certo


Novo treinador bancou titularidade de Sóbis e jogador correspondeu. foto: futebol interior

O Fluminense bateu o Figueirense  no Maracanã, em seu jogo de estreia no campeonato brasileiro. Trinta mil pessoas estiveram presentes e acompanharam a vitória tricolor sobre os catarinenses. Fred, Rafael Sóbis e Nirlei(contra) marcaram os gols da partida.

O time foi bem. Fez valer sua qualidade técnica e soube envolver o adversário, que praticamente não ofereceu perigo a meta defendida por Diego Cavalieri. Mas se o goleiro da seleção brasileira não teve trabalho, do outro lado, Tiago Volpi evitou o que poderia ser um verdadeiro chocolate...

A torcida saiu contente e esperançosa. Confiante no grupo e principalmente no trabalho do técnico Cristóvão Borges, que certamente dará uma cara ao time e tornará o Fluminense novamente competitivo.

Mostrou isso no Vasco, quando fez grande campanha no Brasileirão e no Bahia, ano passado, onde salvou a equipe do rebaixamento. Em nenhuma das duas oportunidades tinha tanta qualidade técnica em seus elencos  quanto tem hoje nas Laranjeiras.

Cristóvão já mostrou seu valor. Agora, tem pela frente um grande desafio: Fazer o tricolor figurar novamente entre os melhores. O novo comandante tricolor tem um material humano invejável. Se o setor defensivo ainda carece de algumas peças, na parte da frente sobra qualidade: Jean, Wagner, Conca, Rafael Sóbis. Um meio de campo, pelo menos no papel, de alto nível. A camisa nove é disputada por Fred e Walter -  sonho de qualquer clube brasileiro.

Portanto, de olho no Flu. O novo treinador e o clube, no momento, formam ótima combinação. Ambos se precisam e tem tudo pra dar certo.