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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O melhor amigo do Peixe

O Santos foi ao Serra Dourada no dia oito de julho, ainda sob o comando de Marcelo Fernandes, enfrentar o Goiás, rival direto na briga contra o rebaixamento. Vinha de três derrotas seguidas (Inter, Fluminense e Grêmio) e saiu de Goiânia com acachapantes 4 a 1.

Era difícil acreditar que o panorama pudesse mudar tão drasticamente como aconteceu. Não havia perspectiva alguma, apesar do título paulista no primeiro semestre. A questão ia bem além de limitação técnica. Grupo jovem, politicagem, falta de dinheiro...

Dorival Júnior assumiu o Santos após a trágica partida contra o Goiás e estreou contra o Figueirense, clube no qual Dorival conquistou seu primeiro título como treinador, o Campeonato Catarinense de 2004.

O Peixe amargava a zona de rebaixamento, vinha de quatro derrotas e tinha a pior defesa da competição. Aproveitamento inferior a 28%. Ridículo.

O acerto foi importante tanto para o clube quanto para o treinador. Este blogueiro escreveu que havia uma necessidade de ambas as partes, e que o acordo era fundamental para o Santos reagir dentro do campeonato e Dorival alavancar sua carreira, desprestigiada após três trabalhos frustrantes.

Com Júnior, o Santos melhorou em todos os sentidos. Principalmente na questão coletiva. Mas ficou evidente o crescimento de Gabriel e Lucas Lima.

Gabriel está mais confiante, se sente importante dentro do grupo. Está marcando mais e priorizando o coletivo. Lucas Lima, por sua vez, está mais a vontade com o novo treinador. Foi Dorival quem o indicou para o Inter, em 2012. Vive o melhor momento da carreira e está na lista da Dunga.

Com o novo comandante, o Santos subiu seu aproveitamento de 28% para 48% no Campeonato Brasileiro. Saiu de 17º para 9º e está a quatro pontos do Palmeiras, quarto colocado. Sem falar nas duas vitórias que conseguiu diante do Corinthians, eliminando o rival da Copa do Brasil.

O Santos vive em paz. Se Dorival precisava de um bom trabalho para recuperar o prestígio, conseguiu. Valeu a pena a reciclagem no primeiro semestre.

Quem briga

A rodada deste fim de semana abriu os horizontes do campeonato. Se nada fora do normal acontecer, o título ficará no Parque São Jorge ou em BH. O Grêmio provou que não terá fôlego para seguir no mesmo nível acompanhando Corinthians e Galo.

O Sport comprovou também o que já se esperava. Apesar do ótimo trabalho de Eduardo Baptista, o único representante do nordeste não tem grupo pra seguir no pelotão da frente.

Na parte de baixo, o Cruzeiro confirmou ao seu torcedor  o que ele não queria acreditar: brigará pra não cair. E é melhor se cuidar...

E o Vasco buscará o Bi da Série B em 2016.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Vencer, vencer, vencer. O ideal do Galo, mais do que nunca

Apontar um favorito para o confronto desta noite, entre Figueirense e Atlético Mineiro, no Orlando Scarpelli, é um equívoco. É verdade que o zero a zero classifica o time da casa, mas desprezar a força dos comandados  de Levir é uma temeridade.

Nas últimas dez partidas em que Atlético foi visitante, só não marcou gols em três. Muito por conta da postura da equipe. O Galo é ofensivo no Horto, assim como é no Mineirão e  também longe de Belo Horizonte. E será, mais do que nunca, em Florianópolis.

Porque se o Galo não marcar, olê olê ola...

O rival  também é forte. Em seus domínios, principalmente. No entanto, longe de Florianópolis mantém-se consistente. Provou nas duas últimas vezes que foi ao Estádio Independência, perdendo pelo Brasileirão por 1 a 0 e empatando na última semana por 1 a 1. Na primeira partida, Pratto marcou de pênalti. Na segunda, Leonardo Silva fez aos 49 do segundo.

Ainda assim, é indiscutível a diferença técnica entre as equipes. Para o confronto desta noite, René Simões não terá a dupla de zaga titular, além do volante Paulo Roberto e do atacante Dudu, baixa de última hora.

Do outro lado, a ausência de Thiago Ribeiro é reparável. Patric têm características adequadas à função e, dentro do elenco, é quem melhor se encaixa para substituir o ex. atacante do Santos.

Em 2015, o Figueirense só perdeu duas vezes em sua casa. Vem motivado após a boa vitória diante do Sport, no sábado. Para o Atlético, foi fundamental voltar a vencer e recuperar a confiança, que se abalou após quatro partidas sem vitórias.

Apontar um favorito para esta noite é um erro. Esperar jogo ruim, também.

domingo, 23 de agosto de 2015

Essência

Havia dúvidas sobre como o grupo do Figueirense iria reagir à troca de treinador. Argel estava a mais de um ano no comando do alvinegro, mas aceitou a proposta do Inter e foi treinar a equipe que defendeu como jogador na década de 90. 

Ainda é cedo pra dizer se a resposta do grupo foi positiva e se René Simões um acerto. Sem Argel, foram três partidas. Derrota para o Fluminense no Rio, empate com o Atlético em BH e vitória diante do Sport, em Florianópolis. Por mais que o aproveitamento não tenha sido brilhante, o Figueirense manteve seu nível de desempenho. Principalmente no primeiro tempo da partida contra o Fluminense e no confronto contra o Atlético, pela Copa do Brasil.

Começar bem dá tranquilidade e passa confiança ao torcedor. O estilo de René permite que o time evolua em alguns pontos que demonstrava dificuldades. 

Mas é importante manter o alto nível de competitividade, trunfo da equipe de Argel. Seguir com consistência defensiva e jogar com intensidade. É fundamental manter a essência.

O caminho para o sucesso  do novo treinador passa por isso. Não dá pra comparar os estilos, embora René e Argel sejam de escolas diferentes e tenham filosofia de trabalho distintas, ambos se assemelham na forma de lidar com os atletas.

É preciso seguir na mesma linha de trabalho. 

O caso de Doriva na Ponte Preta é semelhante. A equipe de campinas começou bem o campeonato, chegou a liderança da competição, mas perdeu fôlego. Trocou de técnico após ficar sete rodadas sem vencer na Série A.

A vinda de Doriva mudou o panorama e a equipe recuperou a confiança. Voltou a jogar bem e da mesma forma que jogava sob o comando de Guto Ferreira.  A Ponte Preta é insinuante como era no início do campeonato e não perde há quatro partidas.

René Simões sabe o caminho. A missão é manter o nível técnico de um time já formado, mas evoluir é sempre importante. Começou bem.

domingo, 16 de agosto de 2015

O pecado de Osório

Algumas coisas justificam o rodízio feito por Juan Carlos Osório em sua equipe titular. Preserva a condição física de alguns, permite observar novas alternativas de jogo com diferentes peças, evita o atleta desmotivado por não receber oportunidades...

Deve ser feito quando for preciso conciliar duas competições de alto nível em período curto de tempo. É verdade que o São Paulo joga pela Copa do Brasil no meio da semana que vem e que quatro dias atrás esteve em Florianópolis jogando com o Figueirense.

Mas foi uma temeridade mudar drasticamente um time em formação. Por mais que existam motivos plausíveis para a opção do treinador colombiano, pôr em campo uma equipe com oito jogadores diferentes da que atuou na partida anterior foi um abuso.

Em relação ao time que jogou quarta-feira no Orlando Scarpelli, somente Breno, Wesley e Alexandre Pato foram titulares diante do Goiás.

O rodízio funciona na Europa pois lá a pré-temporada é adequada, os elencos sofrem poucas alterações e não se troca de treinador depois de um ou outro resultado negativo.

Osório pecou em desfigurar sua equipe que vinha de três boas atuações, contra Atlético Mineiro, Corinthians e Figueirense. Errou também em deixar seu único meia armador no banco de reservas diante de um Goiás fechado com duas linhas compactadas.

Ganso pode estar devendo a muito tempo, mas fez boa partida em Florianópolis. O São Paulo precisava ser criativo e paciente. Mas, afobado, se tornou presa fácil.

Receita do fracasso

Na história dos pontos corridos com vinte clubes, todos os lanternas do primeiro turno foram rebaixados ao fim do campeonato. O Vasco têm treze pontos, três vitórias em dezenove partidas e aproveitamento inferior a 23%.

O Vasco não está rebaixado. Mas tudo indica que jogará pela terceira vez em oito anos a Série B do campeonato brasileiro. Pois não teve planejamento, por que contratou mal e achou que estava pronto para o restante da temporada após vencer o fraco Campeonato Carioca. Simples?

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Desfoco

A diretoria do Inter demonstra a cada dia mais insegurança e indecisão em sua postura diante das negociações. A demissão de Aguirre quase às vésperas do Grenal não é o ponto de partida neste pensamento, longe disso.

Após a classificação para a Libertadores na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, conquistada após vitória dramática diante do Figueirense, em Florianópolis, o desejo da diretoria colorada era Tite, então livre no mercado.

Abel sentiu-se desprezado, abriu conversas com clubes do exterior e acertou sua volta aos Emirados Árabes, para defender novamente o Al-Jazira. Após Tite acertar seu retorno ao Corinthians, o Inter voltou atrás, mas era tarde.

Em dezembro daquele ano, o presidente Vitório Piffero afirmou que o clube não cogitava a contratação de técnicos estrangeiros. Além de Abel e Tite, falava-se em Mano Menezes, Luxemburgo e Celso Roth. Não houve avanço.

Dia 22 de dezembro o Internacional confirmou Diego Aguirre, vice campeão da América em 2011 pelo Peñarol, carrasco do próprio Inter  nas oitavas de final daquele ano.

A demissão de Aguirre, comandante do melhor brasileiro na Libertadores de 2015, é tão injustificável quanto a demissão de Marcelo Oliveira. O Cruzeiro apelou para Vanderlei Luxemburgo em busca de um efeito paliativo e hoje amarga a 12ª posição e uma distância de nove pontos para o G4...

Foi o mesmo que tentou fazer Vitório Piffero ao tentar tirar Argel do Figueirense. Após fracassar nas conversas com Sampaolli, receber um "não" de Mano Menezes e ouvir de Muricy que  deseja trabalhar somente a partir de janeiro de 2016.

Deixou evidente: Com acordo até o fim de 2015, Argel seria mandado embora  após o término do contrato. Supriria a ausência momentaneamente e ao fim de seu contrato estaria desempregado.

Fez bem em não aceitar.

Deve haver um encontro nesta quinta  entre diretores do clube gaúcho e o técnico do Figueirense. Argel deseja trabalhar até o fim do próximo ano.

E o  Inter segue sem técnico. Sem decisão, convicção, planejamento.  Que o sonho do Brasileiro que não vem desde 79  ficou distante é  claro. Mas será importante terminar 2015 dignamente. É possível.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Agora, só em 2016

Após o Grêmio ser finalista da Libertadores em 1984 e derrotado  para o Independiente na decisão, o Brasil ficou sete anos sem disputar uma final entre 1985 e 1991. Depois disso, em nenhum  momento houve duas finais seguidas sem equipes  brasileiras.

O título do River é o terceiro da história do clube e o 24º da Argentina, que supera o Brasil com folga. A discrepância no número de títulos é evidente, mas muito por conta da hegemonia dos hermanos na década de 70. Foram sete títulos entre 1970 e 1979.

O fato do Brasil voltar a ficar de fora das finais por dois anos seguidos não é o fator mais preocupante em questão. É somente mais uma estatística negativa, que demonstra claramente o fraco desempenho  nas duas últimas edições. 

Com a queda do Cruzeiro na quartas de final do ano passado, o Brasil voltou a ficar sem nenhum representante nas semi finais depois de 23 anos. Botafogo, Flamengo e Atlético Paranaense sequer passaram da primeira fase em 2014. É pífio.

A história poderia ter sido diferente em 2015. O Inter sofreu com a paralisação da competição por conta da Copa América, o Corinthians poderia ter ido mais longe se não fosse o péssimo jogo que fez com o Guaraní, na primeira partida das oitavas, no Paraguai. Atlético Mineiro e São Paulo enfrentaram rivais locais, e o Cruzeiro sentiu o desmanche de seu elenco.

Nunca na história as equipes brasileiras estiveram tão bem estruturadas para vencer a Libertadores. 

Pela primeira vez todos os representantes do país entraram na disputa como campeões do torneio. Mas o Corinthians de Tite deslizou em Assunção, o Cruzeiro do então técnico Marcelo Oliveira não soube administrar no Mineirão a vantagem construída no Monumental, o Inter sentiu a pressão do Tigres no México...e o título caiu novamente no colo dos nossos vizinhos. 

É preciso jogar mais, sofrer mais, querer em dobro. Em matéria de como jogar a Libertadores, o River deu uma aula aos brasileiros.

domingo, 2 de agosto de 2015

Imponente

O Palmeiras comandado por Marcelo Oliveira só perdeu uma vez. Na estreia, em Porto Alegre, 1 a 0 para o Grêmio. Depois do revés no sul, o verde emplacou quatro vitórias seguidas, empatou com o Sport em Recife, e voltou a vencer novamente por três vezes consecutivas. Sob o comando de Marcelo, o Palmeiras marcou 19 gols e sofreu 4. É incrível.

Os números de Palmeiras e Atlético Mineiro impressionam. Nas últimas oito rodadas, o alviverde fez 19 pontos. O Galo somou 21, apenas uma derrota em oito – para o Corinthians, em Itaquera – . Os números se assemelham e não é loucura comparar também o futebol apresentado. O time de Levir jogou menos do que pode contra Figueirense e São Paulo. Aparenta estar em declínio na questão física, mas segue vencendo seus jogos.

O Palmeiras está crescendo. E a tendência é continuar. Quando o elenco foi montado, ainda com a vistoria de Oswaldo de Oliveira, a intenção era fazer um grupo forte, homogêneo e capaz de evoluir em médio prazo. Dá mostras de que pode muito mais.

É justo dar méritos ao atual treinador. Mas covardia se esquecer de que quando Marcelo assumiu já havia um trabalho sendo feito. O trabalho de Oswaldo foi de construção, começou do zero.

Marcelo aperfeiçoou o que vinha sendo feito por seu antecessor. Agora, o Palmeiras joga pra frente. É insinuante, chama o torcedor. Seja dentro ou fora de seu estádio. Cria com facilidade, se defende com segurança, tem transição veloz.

Oswaldo de Oliveira deixou o Palmeiras após perder em Florianópolis para o Figueirense. Seu time foi melhor, teve mais a bola. Tocou, retocou...e perdeu o jogo. Precisou dar 32 passes para finalizar. A última partida do Palmeiras, sob o comando de Marcelo Oliveira, foram 278 passes e 17 finalizações. Média de 16 passes para cada chute ao gol.

O Palmeiras cresceu no campeonato e segue evoluindo como ninguém na competição. Se reencontrará novamente as conquistas, só o tempo dirá. Mas o verde está no caminho certo.

Encontro

É bom ver a Vila Capanema cheia. Na tarde do último sábado, em Curitiba, foram quase 15 mil presentes para Paraná 0-0 CRB. O Paraná está longe de ter o time ideal para se firmar como candidato ao acesso, mas enquanto as coisas não se ajeitam, é importante cultivar a relação entre clube e torcida e mantê-los próximos. A diretoria têm feito o possível.