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domingo, 27 de setembro de 2015

A bola pune

O gol de Robinho aos 45 da segunda etapa, novamente em erro na saída de bola de Rogério Ceni e em lance de extrema felicidade do meia, como aconteceu no clássico pelo Campeonato Paulista, foi o centésimo do verde na temporada e recolocou o Palmeiras no grupo dos quatro primeiros.

No confronto entre as equipes pelo primeiro turno do Brasileirão, onde os comandados de Marcelo Oliveira impuseram 4 a 0 no rival, o técnico Juan Carlos Osório afirmou que não havia uma diferença de quatro gols entre os times. Naquela oportunidade o Palmeiras foi melhor e traduziu sua superioridade em resultado.

Não há uma diferença de quatro gols entre Palmeiras e São Paulo.

Mas no Choque Rei deste domingo houve muita diferença.  O São Paulo foi superior do início ao fim, anulou as principais armas do rival, mas não teve a eficiência que pesou contra si no clássico do primeiro turno.

O rendimento do São Paulo foi ótimo. Domingo passado, em Florianópolis, contra o Avaí, Osório optou por preservar seus principais jogadores.  Entrou em campo com sete atletas oriundos das categorias de base, com Thiago Mendes e Alexandre Pato, que haviam treinado durante a semana, no banco de reservas.

A intenção era chegar mais inteiro para o confronto com o Vasco, pela Copa do Brasil, e no jogo deste domingo, frente ao Palmeiras. O desempenho foi acima da média em ambas partidas.  E Thiago Mendes, o melhor do clássico.

Tá chegando

O tropeço do Atlético em Joinville permitiu um distanciamento ainda maior. Agora são sete pontos de diferença para o líder. Se já estava difícil, ficou ainda mais. O Corinthians é irretocável coletivamente e caminha a passos largos para o seu sexto titulo nacional. 

Na chuvosa Florianópolis, sobrou controle de jogo. O time de Tite levou algum tempo para de adaptar ao gramado pesado, mas logo na primeira oportunidade que Jadson teve de pensar o jogo, Elias infiltrou por trás dos volantes e abriu o placar. Gil e Renato Augusto também marcaram para o timão. No fim, Leandro Silva descontou para o Figueirense.

Restam 10 rodadas pra terminar o campeonato. Pro Corinthians ser campeão, menos. Só um milagre atleticano pode impedir. Depois de empatar com o lanterna, ficou difícil de acreditar no Galo.

Luz

Ninguém no Brasileirão fez mais pontos do que o Vasco nas últimas cinco rodadas. De quinze disputados, treze foram computados na conta do cruzmaltino. Em cinco jogos, o Vasco fez o mesmo número de pontos que havia conquistado nas 23 rodadas anteriores.

Seis  pontos o separam do Goiás, primeira equipe fora da zona de rebaixamento. O próximo compromisso é em Florianópolis, contra o Avaí. 

A manutenção vascaína segue improvável, mas possível. O momento é favorável, e tudo passa pelo confronto direto do próximo domingo, na Ressacada. O Vasco está vivo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Vai subir

Chapecoense, Figueirense, Joinville e Fluminense disputaram 69 pontos juntos nas últimas seis rodadas. Cada um 18, evidentemente. Mas como houve um confronto catarinense entre Joinville e Chapecoense na 24ª rodada, o número total possível é 69, e não 72, como seria se não houvesse enfrentamento entre esses clubes nas últimas seis rodadas da Série A.

Juntos, conquistaram 10 pontos. Aproveitamento de 14,49%. É desesperador.

O Joinville conquistou quatro pontos e é o melhor – menos pior–  entre os citados nas últimas seis. Aproveitamento de 22,22%. O time de PC Gusmão, terceiro técnico na temporada, voltou à lanterna e não ficou uma rodada sequer fora do grupo do descenso.

A primeira equipe da zona de rebaixamento têm 31 pontos. É a Chapecoense, que soma apenas três no returno e não vence há mais de um mês. A sequência negativa pôs a equipe catarinense no Z4 pela primeira vez no campeonato.

O Fluminense entrou na briga, mas espera-se uma melhora natural após a chegada de Eduardo Baptista. No jogo diante do Grêmio, pela Copa do Brasil, zero a zero. O tricolor carioca não terminava uma partida sem sofrer gols desde o dia primeiro de agosto, justamente contra o Grêmio, 1 a 0 pela 16ª rodada do Brasileirão, na estreia de Ronaldinho Gaúcho.

O campeonato da Chapecoense era consistente até o primeiro turno terminar. Se recuperar a força como mandante, agora com Guto Ferreira, deve escapar. Em 2014, na mesma rodada e posição,  o Coritiba tinha 29 pontos; Em 2013, a Portuguesa, também na 17ª colocação,  somava  30. Nenhum dos dois caiu – dentro de campo.

O Coritiba de Alex se safou com uma rodada de antecedência somando 47 pontos, aumentando consideravelmente seu aproveitamento. Neste ano, o Palmeiras se manteve na primeira divisão com 40.

Na era dos pontos corridos com vinte clubes, somente o Corinthians somava mais pontos do que a Chapecoense como primeira equipe da zona de rebaixamento nesta mesma rodada. Eram 33 pontos. O Corinthians foi rebaixado com 44.

Tudo indica que o "número mágico" irá aumentar. O Vasco está melhor, o Goiás segue vencendo, o Avaí emplacou três vitórias consecutivas e o Coritiba só perdeu um jogo nos últimos dez. A evolução é evidente, e a tendência é que 44 pontos não seja suficiente.

Por outro lado, se há crescimento de uns, a queda de rendimento de Joinville, Figueirense e Chapecoense preocupa. Hoje, três catarinense estariam rebaixados. Na história, nunca caíram três equipes do mesmo estado.

sábado, 12 de setembro de 2015

Quebra de prognóstico

Nas ultimas cinco rodadas do Campeonato Brasileiro, ninguém fez mais pontos que Flamengo e Santos. O rubro-negro, com 100% de aproveitamento, venceu todas. No Santos, somente um tropeço: empate com o Sport em Pernambuco.

Não à toa que deixaram a desconfortável segunda parte da tabela de classificação para colar no G4 e ameaçar a vaga que, algumas semanas atrás, dava indícios de que cairia no colo de Palmeiras ou São Paulo.

O Flamengo não é mais ameaça. A quarta vitória seguida sob o comando de Oswaldo de Oliveira pôs o time no grupo dos quatro primeiros e tirou o São Paulo, que perdeu para o...Santos.

O Flamengo é realidade. E acredite: sem Guerrero.

Evidente que a resposta dada pelo recém chegado Kaique foi importante. Mas a melhora de Émerson e a regularidade de Alan Patrick  que não servia para o Palmeiras – foram fundamentais. Além, é claro, do ajuste no sistema defensivo. Antes de Oswaldo, a média de gols sofridos no campeonato era superior a um  por partida. Com Oswaldo, caiu para 0,6.

Se no Rio o Flamengo melhorou com seu novo treinador e a ausência de sua principal referência, o Santos mantêm seu nível sem Lucas Lima e Geuvânio, tão importantes para o peixe quanto o Peruano é para o Fla.

Se ainda havia alguma dúvida sobre eles, Flamengo e Santos estão provando que podem e que  não há nenhuma dependência extrema no elenco. O que é imprescindível numa competição de 38 jogos.

2016 pode ser mais promissor. Só o tempo dirá. Mas voltar a disputar algo importante já é algo para se comemorar. Eles estão na briga, mais do nunca.

Alívio

O Cruzeiro tirou um peso enorme das costas ao voltar a vencer o maior rival depois de onze jogos. Na segunda partida sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, foi a primeira vitória da equipe celeste no Estádio Independência após sua reforma.

A pressão maior está do lado atleticano. Um empate, por exemplo, pode custar novamente uma distância de cinco pontos para o Corinthians, que recebe o vice-lanterna Joinville, em Itaquera.

Ainda que o time de Mano Menezes esteja alguns estágios abaixo do rival, jogar sem a pressão de manter uma liderança ou quebrar determinado tabu pode ser determinante.

Na rodada passada o Atlético fez sua obrigação e torceu por um tropeço do Corinthians, que tinha jogo duro contra o Grêmio. Neste fim de semana os papéis se invertem.

A tendência é que haja novamente um distanciamento. A missão do Galo é manter tudo como está.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Margem zero

Pelo segundo ano seguido o Avaí fez um campeonato estadual pífio. Não se classificou para o quadrangular decisivo em 2014 e novamente, em 2015, voltou a ficar de fora do grupo que disputou o título.

O Avaí é claudicante desde janeiro. Reflexo do péssimo planejamento feito no início da temporada. Cedeu mais tempo de férias ao seu treinador, que se reapresentou para voltar a trabalhar com o grupo somente 10 dias antes do início do campeonato, enquanto os atletas já treinavam com o auxiliar Raul Cabral.

Geninho caiu após derrota por 5 a 3 para o rebaixado Guarani de Palhoça...

Nas últimas dez rodadas do Campeonato Brasileiro foram oito derrotas e duas vitórias. Sofreu vinte gols, média de dois por partida. É  impossível não cogitar a demissão de Gilson Kleina.

Apenas seis clubes do Brasileirão não trocaram de treinador: Corinthians, Atlético Mineiro, Atlético PR, Sport, Chapecoense e Avaí.
Os três primeiros brigam na parte de cima da tabela, em Recife especula-se a saída de Eduardo Baptista, e em Chapecó Vinícius Eutrópio está cada vez mais ameaçado.

Kleina segue no comando do Avaí. E permanece pois tem o respaldo do departamento de futebol que confia no trabalho e sabe das limitações do elenco que formou.

O Avaí não foi rebaixado no Campeonato Catarinense pois empatou na última rodada com o Atlético de Ibirama. Dos 14 jogadores que enfrentaram o rival estadual, nove deles estiveram em pelo menos uma das últimas duas partidas do Avaí na Série A. Vagner, Pablo, Jéci, Antônio Carlos, Eduardo Neto, Marquinhos, Renan Oliveira, Anderson Lopes e André Lima.

Abrir mão de um trabalho de seis meses e entregar um elenco desqualificado na mão de um novo treinador é suicídio. Se Kleina ainda não perdeu o comando, segue sendo a melhor opção para buscar o improvável: manter o Avaí na Série A.

Ajuste seu retrovisor

Marcelo Grohe, Fagner, Erazo, Gil e Uendel; Bruno Henrique, Maicon e Elias; Luan, Luciano e Fernandinho. Não é a seleção do confronto  de quarta-feira, entre Corinthians e Grêmio, mas explica as consequências do calendário mal planejado do futebol brasileiro. E ratifica o ótimo trabalho de Tite e Roger à frente de seus clubes.

O Corinthians sente a falta de Elias, porque o jovem Marciel não é constante durante a partida e ainda não está pronto pra substituir o volante da seleção brasileira. Sofreu no clássico com o Palmeiras, mas foi cirúrgico em duas oportunidades, quando a bola partiu dos pés de Jadson tanto no segundo quanto no terceiro gol. O Palmeiras marcava em cima e era superior.

É exagero dizer que o primeiro tempo em Itaquera foi insosso. Mas pela expectativa criada, ficou devendo. A segunda etapa melhorou porque o Grêmio tomou as rédeas do confronto e passou a jogar no campo do rival paulista.

Sem a qualidade no primeiro passe de Bruno Henrique, com a ausência de Fagner e Uendel pelas laterais, o Corinthians sofreu para construir. A única alternativa era a bola longa, mas Vagner Love, por mais esforçado que seja, consegue a proeza de despertar no torcedor saudades de Luciano. Ou de Bobô...

O líder do campeonato só melhorou a partir do momento em que Renato Augusto empatou a partida. Antes disso, o Grêmio dava provas de que poderia brigar pelo título. Afinal, eram apenas três pontos de diferença e domínio tricolor.

A igualdade manteve os seis pontos entre paulistas e gaúchos, mas encurtou a vantagem corintiana de cinco para três  sobre o Atlético Mineiro, que bateu o Avaí em Belo Horizonte.

O Grêmio é ótimo coletivamente, mas sofre com suas ausências e não tem reposição a altura. Pode brigar, mas será preciso seguir se reinventando rodada após rodada.