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sábado, 26 de agosto de 2017

Espelho

Apenas um muro separa Palmeiras e São Paulo na Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista. Na tabela do Brasileiro, 10 pontos de diferença entre palmeirenses e tricolores. O momento é semelhante, apesar da distância na tabela. O diagnóstico para os dois, idêntico. 

A dupla trava duelo ferrenho neste domingo, no Allianz Parque. Importante para Cuca recuperar a confiança de um torcedor que clamou por sua volta em abril, e hoje, desconfiado, pede a cabeça do atual campeão brasileiro. Ao rival, fundamental para deixar a zona de rebaixamento e projetar semanas mais tranquilas.

As crises de São Paulo e Palmeiras são diferentes, mas os motivos se parecem. Rotas distintas, destino semelhante. Troca de técnico, contratações e vendas durante o campeonato. 

O Palmeiras contratou Eduardo Baptista em janeiro, demitiu em abril e trouxe Cuca. Ideias e métodos de trabalho antagônicos. Com Eduardo, o aproveitamento era superior ao atual: 66% x 52%. Frustrante.

Do outro lado, o São Paulo apostou em seu maior ídolo, no primeiro desafio como técnico profissional. Rogério caiu em junho, extremamente prejudicado pela perda de jogadores. 

Assim como Eduardo Baptista, o aproveitamento de Ceni é superior ao de Dorival, seu sucessor. 49 x 44.

O tricolor jamais venceu o Palmeiras em sua Arena. A última visita, em março deste ano, pelo Campeonato Paulista, vitória verde por 3 a 0. Dos titulares naquela tarde, apenas Buffarini, Rodrigo Caio, Jucilei e Lucas Pratto devem estar na formação inicial no Choque Rei 314 deste domingo.

David Neres, Luiz Araújo, Lyanco, Neílton, Daniel, Kelvin, Breno, Thiago Mendes, Maicon...

Desde 2015 o São Paulo comete o pecado mortal de descaracterizar seu elenco durante a temporada. 

No Palmeiras, o erro foi descaracterizar seu estilo. Posse de bola e marcação por zona nos cinco primeiros meses; pressão, contra-ataque e marcação individual com Cuca na sequência. Não se forma time assim.

Olhe para líder e vice-líder do campeonato, veja o Botafogo de Jair Ventura, surpreendentemente nas quartas de final da Libertadores, ou o Cruzeiro de Mano Menezes, na decisão da Copa do Brasil. 

Pesa a favor do Palmeiras o retrospecto positivo nos confrontos regionais mais recentes. Ao São Paulo, a pequena melhora nos últimos dois jogos, contra Cruzeiro e Avaí. 

Quem vencer o clássico ameniza sua crise, mas time forte e título, só com trabalho e continuidade.