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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Identidade

Consistente, pragmático, eficiente. É incrível a capacidade do Corinthians de ser seguro defensivamente e cirúrgico nas poucas vezes que vai ao ataque. Foi assim na investida de Guilherme Arana pelo lado esquerdo, no passe açucarado para Rodriguinho abrir o placar no Serra Dourada.

A primeira grande chance alvinegra no jogo saiu do mesmo pé que originou o gol da vitória. Descida de Arana pelo lado esquerdo, deslocamento preciso de Jô na grande área e bola em cima do goleiro Felipe.

Bastaram vinte e seis minutos para o Atlético cair na armadilha do rival. Jogada rápida pelo lado esquerdo, infiltração do meia e gol de Rodriguinho, o nono dele com a camisa do Corinthians em 2017. 

Pela décima vez no ano, a equipe do Parque São Jorge vence pelo placar mínimo. Os setenta dias de invencibilidade e os sete pontos conquistados nas três partidas disputadas consolidam o Corinthians na liderança do campeonato.

Após a vitória, Carille garantiu que a equipe “vai brigar”. Falou em Libertadores, é possível. Para título, difícil. Há problemas no Corinthians de hoje, principalmente no aspecto criativo, de construção de jogadas.

Hoje, o Corinthians têm mais pontos que Palmeiras (3) e Atlético Mineiro (2), os dois grandes favoritos ao título.

Mas ajustar detalhes em equipes seguras é sempre mais fácil. Lembre-se que em 2015, no início do Brasileiro, era um desafio para a equipe de Tite melhorar o repertório ofensivo. 

O Timão do 1 a 0 está forte.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

De todos os fracassos recentes em Libertadores, a queda desta noite é a mais traumática para o flamenguista

Não é justo criticar a opção de Zé Ricardo por Gabriel e Berrío em detrimento de Rômulo e Renê, dupla mais cotada para sair jogando ontem em Buenos Aires. O Flamengo vencia o San Lorenzo até os 29 do segundo tempo, gol marcado por Rodinei, aos 14.

No momento do empate, os cariocas limitavam-se a defender. Aí sim, a crítica.

É verdade que a vitória parcial do Católica no Chile passava segurança. O Flamengo não contava com a reviravolta que o Atlético Paranaense protagonizou em Santiago. Quem contava?

Em dez minutos, quatro gols e virada atleticana, carimbada por Carlos Alberto, aos 41 do segundo tempo...

Inacreditável!

O Atlético vai às oitavas pela terceira vez em sua história. O Flamengo, fica pelo caminho. Pela terceira vez consecutiva, na fase de grupos.

A queda desta noite supera qualquer uma das duas anteriores. Havia mais confiança e expectativa do que em 2012 e 2014, nas eliminações diante Lanús e León, respectivamente. 

De nove combinações de resultados possíveis, apenas uma causaria eliminação: Vitórias de Atlético e San Lorenzo. Acontece...

A grande diferença é a estabilidade do clube atualmente. Em 2012 e 14, não havia. O Flamengo está mais forte para lidar com crises.

EMPATE DE OURO

O empate do Santos na altitude frente ao The Strongest confirmou a equipe de Dorival Júnior nas oitavas de final da Libertadores. Com Bruno Henrique expulso aos 23 do primeiro tempo, o Santos passou por apuros. 

No fim, Lucas Lima fez grande jogada e serviu Vitor Bueno, que empatou. Depois, os bolivianos ainda desperdiçaram um pênalti.

Neste ano, a equipe de Dorival pode apresentar alguns defeitos não vistos na temporada passada. Mas de inspiração e alma, não dá pra reclamar. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

É mais fácil ser Corinthians

O gol de Lucas Pratto em Itaquera foi o quinto sofrido pelo Corinthians de bola rolando dentro da área. Os outros oito, ou de longe, ou bola parada. 

O Corinthians de Fábio Carille é seguro, diferente de 2016, mas bem parecido com temporadas anteriores, sob o comando de Tite e Mano Menezes, sempre com  Carille na comissão técnica. 

Ser consistente defensivamente traz paz e confiança. O Corinthians é forte como equipe e evolui lentamente em aspectos ofensivos e de criatividade. 

Você pode até criticar a ideia, mas a execução está inquestionavelmente bem feita. 

No São Paulo, você pode criticar a execução, mas deve respeitar a ideia. 

O modelo de jogo pensado por Rogério Ceni exige paciência, trabalho, tempo. Não é tão simples. 

Mas é errado também atribuir o fracasso apenas ao bom desempenho da defesa rival. É possível variar, buscar outras alternativas dentro da filosofia pensada.

42 cruzamentos no jogo inteiro, quase um a cada dois minutos, é absurdo!

Mas o São Paulo se impõe. Gosta de ter a bola, construir pacientemente. A dificuldade é natural. Para o que pensa Ceni, quatro meses de trabalho não basta. 

No rival, é mais simples. Primeiro porque Carille está há mais tempo no clube, segundo porque é menos complexo formar um time organizado na defesa e que busca esporadicamente o ataque. O Corinthians foi apenas o décimo ataque mais positivo do Campeonato Paulista!

A diferença entre os dois está no estilo. Fábio Carille executa melhor, Rogério ousa mais.


O problema é nossa paciência para entender ideias diferentes.