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domingo, 7 de agosto de 2016

Deu a letra! Fla no topo por uma noite, em rodada que pode ter cinco líderes diferentes

Antes do Flamengo vencer o Atlético Paranaense e assumir a ponta do campeonato, a diferença do líder para o sétimo colocado era de apenas três pontos. Jamais houve tanto equilíbrio numa edição de pontos corridos no Brasil e não há uma liga no mundo que seja possível indicar sete candidatos ao título após metade da competição.

O Flamengo fez um segundo tempo irretocável em Cariacica e venceu com gol de Mancuello, de letra, após passe de Fernandinho. Na primeira etapa sofreu um pouco mais, o Atlético teve chance de abrir o placar e Walter acertou a trave ao perceber Alex Muralha adiantado.

foto: Damião Nascimento
Zé Ricardo ajustou no intervalo e o panorama mudou. A vitória é demonstração de força de um Flamengo organizado e consistente, que não perde há seis partidas e não sofre gols há três.

Líder momentaneamente, o Flamengo só será o virtual campeão do turno se Santos, Palmeiras e Corinthians perderem seus jogos e o Atlético Mineiro não vencer a Chapecoense em Belo Horizonte – o jogo do Grêmio foi transferido para setembro.

Dos treze campeões brasileiros na era dos pontos corridos, dez terminaram a décima nona rodada na ponta do campeonato. Em 2015, o Corinthians fechou a primeira parte do Brasileirão com quatro pontos de vantagem sobre o Atlético MG, segundo colocado, e nove sobre o sétimo, o São Paulo.

As exceções são o Grêmio de 2008, o Internacional de 2009 e o Atlético Mineiro de Cuca em 2012, campeão do turno na rodada 19, vice brasileiro em dezembro daquele ano.

A Série A está mais equilibrada e isto não significa baixo nível técnico. Longe disso. Há tempos não se via Flamengo e Santos tão competitivos, o Palmeiras brigando pela ponta. A diferença é que este ano não há uma equipe fora de série despontando à frente das demais. Como foi o Cruzeiro em 2013 e o Corinthians, no segundo turno de 2015.

É o que permite o Grêmio tropeçar duas vezes seguidas em adversários da zona de rebaixamento e se manter a dois pontos da primeira posição. Ou o Palmeiras, que não vence há três rodadas mas depende apenas de si para retomar a liderança neste domingo.

Só no Brasil!

domingo, 24 de julho de 2016

Vai brigar

O Palmeiras sentiu falta de Gabriel Jesus mas não perdeu pro Atlético na manhã deste domingo por conta da ausência de seu principal atacante, que serve a seleção olímpica, assim como Fernando Prass.

Marcelo Oliveira optou por três volantes, posicionou Leandro Donizete à frente da defesa, auxiliado por Lucas Cândido e Rafael Carioca na marcação. Travou o jogo do rival.

Apesar do domínio, o Palmeiras pouco ameaçou. Com Cleiton Xavier apagado, a equipe de Cuca se limitou a cruzamentos e ligações diretas. Não funcionou.

O desempenho alviverde neste domingo lembrou a forma em que o Palmeiras de Marcelo Oliveira jogava. Bola longa, correria, falta de repertório ofensivo.

Ironia ingrata o gol atleticano sair de uma jogada trabalhada, que nasceu do lado esquerdo com Fábio Santos, passou por Fred, Robinho, até chegar em Donizete, dentro da área, surpreendendo a defesa verde.

A tônica da partida seguiu até o fim. Cuca sacou Cleiton Xavier e pôs Barrios, trouxe Dudu para o meio, abriu Erik do lado esquerdo. Sem resultado. Atuação discreta do camisa 7, líder em assistências da equipe.

O Palmeiras não vence o Atlético há cinco anos. A última vitória foi em julho de 2011, 13ª rodada do Brasileirão, no Canindé. Os últimos dez confrontos registram nove vitórias atleticanas.

O Atlético chegou aos 26 pontos, seis a menos que o líder Palmeiras. Ano passado, nesta rodada, liderava com 35 pontos ganhos. Caiu de rendimento no momento chave da competição.

A equipe de Marcelo Oliveira tem problemas, ainda oscila com frequência. Mas assim como o Grêmio foi goleado em Recife semana passada, o Corinthians perdeu dois pontos para o Figueirense em Itaquera. É normal num campeonato de tanto equilíbrio.

O importante é não se afastar dos líderes e crescer na hora certa. Como o Corinthians, ano passado.

Não há receita pra ser campeão brasileiro. Mas elenco e regularidade são essenciais. O Galo está forte.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O desafio de Bauza

Na chegada do São Paulo ao Pacaembu o técnico Edgardo Bauza foi questionado sobre o fato de poupar tantos atletas para o clássico com o Santos: “Excesso de precaução”.

Da equipe titular que chegou às semifinais da Libertadores, apenas Denis, Maicon, Michel Bastos e Calleri estiveram entre os onze que iniciaram o clássico SanSão no último domingo.

O São Paulo foi preza fácil e com 43 segundos já perdia o jogo, gol de Vitor Bueno, em jogada que começou com Lucas Lima, passou por Gabriel, Thiago Maia e o rebote de Denis. Falha do goleiro são paulino.


Seria difícil em condições normais. Com um time tão desfigurado e inexperiente, ainda mais. Bauza sabia disso. O São Paulo estacionou no meio da tabela e não vence há três partidas no Brasileiro, empates com Flamengo e Sport, derrota para o Santos.

O último brasileiro semifinalista da Libertadores que brigou por título foi o Santos de 2007, eliminado pelo Grêmio na semifinal. Foi segundo, mas quinze pontos atrás do...São Paulo.

Depois do tricampeonato, em 2008, o São Paulo disputou o título em 2009 e a partir daí ficou cinco anos sem almejar o troféu mais cobiçado do país. Foi vice em 2014, dez pontos atrás do Cruzeiro, campeão indiscutível.

Chegar entre os melhores na Libertadores e brigar pelo título brasileiro exige planejamento. Elenco, trabalho a longo prazo, filosofia bem definida. O São Paulo tem problemas, mas pode ser o adversário de Boca ou Del Valle na decisão.

No Brasileiro ficou difícil. O último a ser semifinalista no continente e levantar a taça do Brasileiro foi o próprio São Paulo. 

Derrotado pelo Inter na final, foi campeão nacional com Muricy, o terceiro título paulista na quarta edição dos pontos corridos, em 2006.